
O São Paulo, enfim, resolveu efetivar (sempre temporariamente, ou alguém aí duvida?) Milton Cruz como seu treinador, até quando Deus quiser ou o humor dos cartolas determinar. É o Plano Z. Isto é: a ausência absolutamente de planejamento nesse São Paulo, que, durante anos, foi um exemplo contrário. Até a ascensão de Juvenal Juvêncio, quando começou o processo de deterioração da gestão tricolor.
O amigo que me acompanha há tantos anos sabe das limitações que costumo estabelecer para as ações efetivas dos técnicos de futebol, em geral, sobre seus respectivos times. A não ser em casos excepcionais e pontuais, habitualmente, é muito menos intenso do que o cheiro de incenso que os nossos jovens comentaristas costumam espargir pelos quatro cantos.
Portanto, não acho que Milton Cruz venha a cumprir uma missão mais ou menos inferior a qualquer outro dos que estiveram em pauta por aí.
Conheço-o desde quando era juvenil no São Paulo. E sei que é um moço honesto, equilibrado, que sabe tanto ou mais de futebol do que a imensa maioria dos que estão em atividade no Brasil. O diabo (ou o anjo, dependendo da visão de cada um) é que Milton Cruz não é um tipo ambicioso. Ao contrário: sempre se preocupou em defender seu emprego, como auxiliar do técnico, o cara que, nos bastidores, aponta o dedo para este ou aquele jogador que deveria ser contratado, essas coisas. Milton prefere ficar à sombra segura dos acontecimentos a atirar-se à frente das luzes dos holofotes que atraem todas essas borboletas.
Mas, enfim, ei-lo levado à força ao centro da arena que por tantos anos evitou.
C0mo já se dizia antes, não haverá volta, ou seja, com qualrer técnico que chegasse, o ciclo de Milton no Tricolor estaria encerrado, a única alternativa é meu amigo arregaçar as mangas e meter bronca. Afinal, nada é eterno. E. como ensinava o poeta, o jeito é aproveitar o efêmero.