Brasileirão na Libertadores

Dos cinco brasileiros classificados para as oitavas de final da Libertadores, o Corinthians foi o único que escapou de um confronto doméstico, sempre uma encrenca extra, pois entra em campo, além da rivalidade nacional, o conhecimento mais profundo um do outro.

Coube ao Corinthians, o Guarani do Paraguai, time que já foi, no passado, frequentador assíduo da Libertadores, mas que nos últimos tempo têm ficado mais na galera do que no campo. Em geral, o futebol paraguaio sempre foi aguerrido, defensivo, mas frágil no confronto contra seus vizinhos do Cone Sul. Além do mais, Assunção fica ali, ó, a um beiço de Itaquera, caminho fácil para uma invasão da Fiel.

Afora isso, o Timão terá aí duas semanas para lamber suas feridas recentes e levantar a fronte novamente.

De fronte erguida, finalmente, o São Paulo pegará o Cruzeiro, que começa a ganhar corpo nesse processo de restauração promovido pelo melhor técnico brasileiro, Marcelo Oliveira. Mas, se a Raposa vai crescendo naturalmente, o São Paulo deu um salto de qualidade inesperado diante do Corinthians. O diabo, agora, é saber se foi apenas um surto do time tricolor ou se o desempenho diante do Timão marca uma virada em sua vida na Libertadores e no ano.

É esperar pra ver.

Já o Internacional mostra seu cartão de visita para o Galo: a melhor campanha dentre os brasileiros na Libertadores. Não é pouca coisa, se abstrairmos as linhas oscilantes de suas performances no jogo jogado ao longo deste ano. O Galo, porém, responde com as cartas do tarô, em que o Enforcado transforma, magicamente, o cadafalso em catapulta.

Ambos têm de resolver suas vidas nas decisões regionais antes de se enfrentarem, e isso pode produzir marcas profundas. Imagine se o Galo perde para o Caldense, tradicional time do interior mineiro, mas que nem de longe tem as dimensões de um Atlético ou um Cruzeiro. E, pior ainda, se o Colorado perde para o Grêmio, esse campeonato gaúcho à parte, que, lá, vale mais do que qualquer titulo?

Resta ainda no ar dos pampas uma certa suspeita sobre o trabalho do técnico Aguirre, apesar da excelente campanha na Libertadores, mas, pelo elenco de que dispõe, há fortes razões de que, nas contas finais, o Colorado será beneficiado.

Por outro lado, nas Alterosas, só há motivos de confiar em Levir Culpi, um sujeito inteligente, bem-humorado e que, a partir dessa vitória histórica de quarta-feira, começa a abrir os caminhos de um novo Galo, mais adaptador aos tempos modernos, ao romper com o dogma dos dois volantes, escalando o meia Dátolo nessa função, que é mais de criação do que de obstrução. E o resultado disso foi flagrante no desenvolvimento da partida.

O diabo é que, no fim dessa encrenca toda, pelo menos dois brasucas cairão fora da Libertadores. Mas, que fazer?

Um comentário

  1. este comentario eu dirijo aos meus companheiros sampaulinos mas antes algumas palavras ao nosso blogueiro. Alberto, Sou da velha guarda, joguei nos sub 18 do sampa ainda no tempo do saudoso Feola que cuidava dos juvenis. Depois joguei 2 anos fora do Brasil. Hoje moro em Miami ha 10 anos e tinha perdido contato com a midia esportiva ate que ha pouco tempo descobri seus comentarios .Parabens, eles sao otimos, sempre originais e com o seu estilo pessoal. Nao e’atoa que o Galena te procurou. Fui leitor/ouvinte de grandes comentaristas como o Tomaz Mazoni, Nelson Rodrigues, Mario Morais, Pedro Luis e agora incluo voce neste grupo seleto. Um abraco. Quanto ao Sampa depois de fatalidades, incompetencia e falta de sorte finalmente desencantou. Nao se iludam porque o nosso time nao tem gabarito (pelo menos ate agora) de ser campeao. No primeiro jogo contra o Corinthians o Muricy nao foi competente e jogou com 2 atacantes e 2 meias justo contra um time que marca muito bem e contra ataca bem. Veio o segundo jogo e ja melhoramos um pouco no segundo tempo. Veio o penalty e outro erro: o Rogerio nao e’ batedor de 1a, ja perdeu varios e nao deu outra. Depois contra o Palmeiras outro azar: reposicao do Ceni mal feita, um gol no comeco e aqui faltou comando, lideranca, o time todo perdeu a cabeca com mais um fracasso que se apresentava e toma uma expulsao do Toloi. Bem voces viram que o time sumiu, O Muricy ja nao estava bem algum tempo e nao resistiu. Vem o Milton Cruz e mudou tudo: tirou um meia e colocou um volante! a grande jogada ! finalmente veio o mais importante : a CAMISA TRICOLOR que pesou na recuperacao. Daqui pra frente talvez o Milton encontre uma escalacao que de um golpe de qualidade para equiparar o nosso time aos melhores. Boa sorte a todos os sampaulinos e um abraco.

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