Eis uma manchete falsa: CBF tem novo presidente. Não tem, pois Marcos Polo Del Nero é, de fato, o presidente desde que era vice. E Marin é vice desde que era presidente.
Nada, no duro, muda no futebol brasileiro, com a falsa mudança de comando da entidade máxima.
Ou, pior: corre sério risco de dar um fatal passo atrás, caso ganhe curso na CBF o desejo de alguns cartolas e de certos representantes da mídia de voltarmos ao malfadado sistema de mata-mata no Brasileirão.
Pelo menos, na concepção dessa gente, em que se prevê um longo período de jogos classificatórios para tudo se concentrar num curto tempo de decisão. Sistema falho porque enche de tédio a maior parte do torneio e exclui a maioria dos participantes das fases mais significativas.
Na verdade, tudo no nosso calendário gira em torno do jeito de fazer as coisas, não elas em si. Você pode ter, sim, campeonatos regionais, copas de todo tipo, Brasileirão, espaço pra Seleção Brasileira e o diabo a quatro. Desde que dê a cada um desse itens a dimensão exata para que as rodadas rolem num fluxo racional, dentro das exigências do torcedor e das possibilidades dos atletas.
Se insistirmos em não ajustar o nosso calendário ao do europeu, pra efeito de espiarmos pelas janelas quando o sol bate lá, então, que seja assim:
Dezembro, férias. Janeiro, pré-temporada. Fevereiro, campeonatos estaduais, no formato de mata-mata em grupos, com disputas diretas. De março a novembro, Brasileirão, com datas abertas antecipadamente para as Copas do Brasil, Libertadores, Sul-Americana e jogos da Seleção.
Se insistirem, em nome da tal emoção, no mata-mata para o Brasileirão, que então seja. Não esse híbrido comprovadamente deficitário, em todos os sentidos, sobretudo o da emoção, de pontos corridos misturados com mata-mata. Dividiam-se os clubes em grupos, por sorteio, jogando entre si. Os campeões de cada grupo enfrentam-se para decidir o título do turno. Tantos turnos quantos necessários para cobrir as datas correspondentes. No fim, o torneio entre os campeões.
Assim, você tem emoção a cada rodada, o tempo todo, não apenas na fase decisiva.
Mas, não terá necessariamente aquele campeão que se preparou devidamente para isso, que tenha cumprido a melhor campanha etc. Terá o campeão da hora.
Afinal, não é essa a mentalidade do brasileiro? É aqui e agora, pois o futuro a Deus pertence. Caso contrário, vamos à Paulista, de cartazes em punho, desfilar ao lado daquelas loirinhas graciosas e bem nutridas, de jeans de grife, e barriguinhas esbeltas de fora, que ninguém é de ferro.
Genio da raça