Michel cruza e salva o Tricolor

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Acredite quem quiser, mas o São Paulo, acusado por todo mundo de ser um time sem alma, virou-se do avesso esta noite para vencer, de virada, no último minuto, o Danúbio, em Montevidéu.

O amigo poderá dizer, com boa dose de razão, que o Tricolor se arrastou em campo durante todo o primeiro tempo, e só foi dar sinais de vida depois de ter levado aquele gol do meio da rua, de Sosa, em reflexo tardio de Rogério.

Mas, só aos 15 minutos, quando Michel Bastos cruzou para Pato empatar de cabeça é que o time ganhou um pouco de energia de fato. Sobretudo, depois da entrada de Luís Fabiano no lugar de Rodrigo Caio, um dos tantos volantes que não conferiam um mínimo de criatividade no meio de campo e tampouco fechavam devidamente a sua própria área. Tanto, que Rogério teve de fazer algumas defesas difíceis, sem contar os disparos tortos dos uruguaios.

E o sangue tricolor passou a correr mais ligeiro depois da entrada de Centurión, o que desfez de vez o trio de volantes, com a passagem de Hudson para a lateral-direita, no lugar do beque improvisado Paulo Miranda. E não é que o argentino, cuja escassez de gols é notória, acabou sendo o herói do jogo, com aquela cabeçada fatal, em novo cruzamento de Michel Bastos – sempre ele! -, aos 46 minutos da etapa derradeira?

A verdade é que não se trata de uma questão de sangue, título próprio para romance policial.

O que falta mesmo ao São Paulo é organização e talento. Pois todo seu repertório, no fim das contas, se resume nos cruzamentos de Michel Bastos para o herói solitário da hora na área.

Resta agora ao torcedor tricolor, nesta noite de quinta, engrossar as fileiras da Fiel e sangrar o fel da torcida indesejada.

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