Flechada do Bugre no coração da bola

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

Foi uma flechada do Bugre neste velho e romântico coração essa venda em leilão do Brinco de Ouro da Princesa. O amigo não verá mais um estádio de nome tão idílico como esse: Brinco de Ouro da Princesa, palavras que deslizam pela alma evocando graça e delicado esplendor, como os tantos Guaranis que vi desfilar em campo desde sua ascensão à Primeira Divisão do Paulista, lá no início da Lei do Acesso, há mais de sessenta anos – um gol de China sobre o Batataes, em jogo polêmico que ouvi pelo rádio, menino ainda.

Até chegar ao título brasileiro, em 78, com aquele timaço de Zé Carlos, Zenon, Renato Pé Murcho, Careca e cia.

Foram tantos craques revelados e veteranos abrigados pelo verde de Campinas que nem dá conta de listar.

O amigo sabia, por exemplo, que Telê Santana, o Fio de Esperança, veio do Fluminense para encerrar sua carreira no Guarani? E que dizer do peruano Villa-Lobos, um negro de jogo cadenciado e refinado que antes atuara pelo Palmeiras e pelo Flu? Assim como faltam palavras para lembrar em toda a sua dimensão de craque do meia e volante Benê, que faria história no São Paulo dos anos 60, e que foi vilmente cortado da Seleção da Copa de 62 por uma falsa lesão no coração? O bicho jogou por mais uma década, sem problema algum.

Se me permite o amigo, vamos resumir este papo com a minha Seleção do Guarani dos tempos que vi: Neneca; Ricardo Rocha, Júlio César, Amaral e Bezerra; Zé Carlos, Benê, Renato e Zenon; Evair e Careca. Técnico? O saudoso Zé Duarte, o manso e vivo Zé do Boné.

Sangro, só de lembrar.

2 comentários

  1. Tivemos vários outros craques,como Ferrari(que depois foi ao Palmeiras),Djalminha,Amoroso,João Paulo,Neto,Boschilla(atualmente no São Paulo),Adriano(São Paulo/Atlético Paranaense), Jonas(Benfica) ; são tantos craques e infelizmente hoje estamos lutando para voltar a primeira divisão do estadual e estamos na terceirona do brasileiro. O Guarani é a maior prova de muitos erros no país;dirigentes corruptos, televisões e afins que protegem os chamados grandes, a ganancia de alguns jogadores,o fim do torcedor dos times do interior e tantos outros problemas que mataram a fábrica de craques do futebol brasileiro, que foi o interior paulista. O 7×1 é apenas um reflexo de tudo isso. Abraços bugrinos.Hoje e sempre Guarani.

  2. Hoje temos inúmeras arenas espalhadas pelo país; lindas, exuberantes. O Pacaembu é o estádio + aconchegante que há no estado de São Paulo, mas acho que quem disse isso não conhece ou conheceu o Brinco. Palmeirense da mais pura cepa que sou, há anos não deixo de sentir um grande carinho pelo Bugre que parece não ter sido cercado de pessoas do bem durante a sua vida. É uma perda irreparável; entendo perfeitamente o sentimento que assola o torcedor Ronald Broner; é dor na alma. Durante seus longos anos de vida, os dirigentes do Bugre se deram conta da importância que o Guarani tem e teve no futebol paulista e brasileiro. Esse é o resultado de quem não cuida; assim como o Palmeiras, o Guarani sofreu demais por ter sido cuidado por pessoas que nunca gostaram dele.

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