
O amigo espia assim o placar do estádio em Itaquera – 5 a 3 – e fica achando que foi uma dureza para o Corinthians, diante do Penapolense.
Nada disso: foi um massacre alvinegro, técnico e tático, que virou o tempo com 4 a 0 e logo no início da segunda fase enfiou mais um, com Guerrero.
Os três gols do Penapolense foram marcados nos minutos finais da partida, com direito a um golaço de Crislan que encobriu Cássio com estilo e precisão.
Isso, depois de o Corinthians ter refluído no seu ímpeto ofensivo que lhe conferiu tantos gols quantas oportunidades claras desperdiçadas, a partir daquela bola de Emerson na trave.
Ah, mas o Penapolense é muito fraquinho, dirá o pragmático de plantão. É, sim, mas quantos times da mesma categoria do adversário desta noite o Corinthians enfrentou este ano e ficou ali naquela inhanha, lá atrás, ligações diretas e um golzinho chorado no fim, graças ao oportunismo de Guerrero?
Então, meu caro, esse jogo de imposição apresentado pelo Corinthians esta noite, feito de passes medidos e velozes, avanços pelas extremidades do campo e pelo meio num balanço exato, vem se juntar ao de terça, com seu time reserva, para nos dar um sinal de que finalmente, o Timão está pegando no breu.
Pelo menos, é o que espero, nesse processo de evolução do Corinthians. Que jogue a bola que lhe cabe pela excelência do elenco, do treinador e o peso da camisa.
Sempre haverá quem veja, por outro lado, uma fragilização da defesa, tão intransponível até outro dia, e agora exposta a tomar gols insuspeitados.
Claro: se ficar todo mundo lá atrás, com a dinâmica certa e a disposição de marcar que timbrou aquele Corinthians intransponível, a possibilidade de tomar gols passa a ser mínima. Mas é só isso que se quer e se exige desse que é o melhor elenco do país?
Mesmo porque futebol, como a vida, é um cobertor curto cujo espetáculo se faz com riscos. Sem riscos, é apenas uma tediosa chatice.