Em busca do tempo perdido

 MARTIN BUREAU / AFP
MARTIN BUREAU / AFP

Amanhã, o Brasil volta a campo lá nas estranjas para enfrentar a França, essa pedra nas nossas chuteiras, em amistoso preparatório para a Copa América.

Curioso isso, o fato de a França, há anos, ter se transformado num adversário fatal para a nossa Seleção. Pois os franceses, que tradicionalmente cultivam o bom gosto, foram os primeiros no mundo a se render à arte brasileira de jogar bola, coroando-nos com o título de Les Rois du Foot-Ball (Os Reis do Futebol) quando da visita espantosa do mítico Paulistano de Fried, Arakén e cia. bela, em 1925.

Naquele tempo, começávamos a criar nossa escola risonha e franca, que, com as devidas adaptações, funcionou até início dos anos 90, talvez – um jogo predominantemente ofensivo, gingado, inventivo e cheio de malícias, com sonoros ecos da Mãe África.

E, talvez por isso mesmo essa imagem tenha se fixado no inconsciente coletivo dos franceses, fazendo-os trilhar o inverso caminho de Swan, em busca do tempo futuro que lhes desse a nossa face passada.

Durante essa longa caminhada, surgiram talentos inexcedíveis entre os seus, como Kopa, Eric Cantona e Platini, por exemplo. Mas, para desespero do racista e reacionário Le Pen, a busca chegou ao início de tudo – a África Negra -, de onde trouxeram a semente de seu novo futebol. E foi com aquele enxame de negros franceses que eles chegaram à conquista máxima de um Mundial e uma Eurocopa, sob a regência de um filho de argelinos, craque excepcional, Zinedine Zidane.

O Brasil, ao contrário, caminhou no sentido oposto ao de sua história, e agora se encontra numa encruzilhada: ou retoma seu verdadeiro destino ou segue cambaleando , de vexame em vexame, caindo a cada ano pelas tabelas da Fifa, onde hoje se encontra abaixo da Colômbia, creiam.

O time de Dunga, de quem, confesso, não esperava mudanças significativas, dá sinais fortes de retomada do nosso estilo de jogar, com uma defesa sólida e bola rolando solta a partir do meio de campo.

Ainda insiste no dogma dos dois volantes de ofício, embora estes saibam jogar mais do que os brucutus recentes. Por sua própria formação como jogador, acho muito difícil que rompa com esse dogma. Mas, quem sabe, né, possamos ter, durante esses dois jogos amistosos – contra França e Chile -, nem que seja por alguns momentos, uma formação de meio de campo, por exemplo, com Luiz Gustavo, Oscar, William e P. Coutinho, abastecendo Neymar e Firmino, Luiz Adriano ou Robinho?

Para esse Brasil, torço com alma e devoção.

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