Ah, pobres alemães…

AFP
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Li outro dia que o São Paulo arquiteta um show em que o hino do clube será interpretado no ritmo do rock, sob a batuta do meu querido Rogério Ceni. Nada mais moderno, atual, tecno, jovem, global, expressão exata dos tempos que vivemos.

Pois, acabo de ver a goleada do Bayer Leverkusen sobre o Stuttgart, por 4 a 0, um show dos vermelhos. E o jogo se encerrou com a torcida entoando Aquarela do Brasil, samba de Ary Barroso, um dos raros gênios deste Brasil brasileiro. Composição do passado mais remoto, coisa de mais de 70 anos atrás, época em que o nosso futebol artístico e inventivo compunha o imaginário do europeu como algo ligado à alegria de viver e à invenção.

Aliás, esse cântico é recorrente quando das exibições pirotécnicas do Bayern de Munique.

Pobres e atrasados alemães, povo que vive à margem da modernidade, mergulhado na miséria e na ignorância mais profunda, com um índice insuportável de desemprego e um sistema de ensino sucateado. Tanto que sua gente nem tem forças para ir às ruas reclamar de um governo inepto, que, ao ser eleito com um programa, no dia seguinte, nega tudo e coloca em prática o oposto.

Justamente o oposto deste Brasil que, na vida como no futebol, é um exemplo de modernidade. Se fôssemos comparar o Brasil com a Alemanha em termos de pesquisa tecnológica, campo que determina o que é moderno ou não, ganharíamos, certamente, por 7 a 1. Na área da educação, então, dobre aí o placar: 14 a 2. Na economia, ah, o resultado seria de 21 a 4, e, na cultura, na preservação e desenvolvimento de seus próprios valores, 42 a 8.

Permita-me o amigo nem tocar na questão social, no bem-estar do povo ou na violência urbana endêmica. Aí, cairíamos num placar de basquete entre o Dream Team  norte-americano e um aglomerado de garotos senegaleses.

Sinto uma pena danada desses pobres alemães. E torço desesperadamente que um dia eles consigam atingir nosso nível de desenvolvimento em todos os campos, sem abrir mão de seu valores culturais, exatamente como fazemos aqui na Terra do Pindorama.

Um comentário

  1. Amigos,nosso futebol está em uma “sinuca de bico”,em que na maioria das vezes nas
    quais exportamos os nossos melhores jogadores o fazemos vendendo o almôço para comprar a janta.
    Ficamos com um fundo de tacho que também não é nada barato sustentar,e nossos
    técnicos vão aprender com os técnicos que estão com a nata da nossa matéria prima futebolística como jogar melhor o futebol.
    São os professores retrocedendo aos tempos de alunos e estes sendo promovidos a professores (será que é o tal complexo de vira -lata?).
    Nosso futebol já deixou de ser um caso de policía e precisa ser tratado baixo a tutela Federal como um produto com o sêlo “denominação de origem”,assim como o champagne francês,o jamón espanhol,a cava catalana e o presunto de Parma,entre tantos.
    Em tempo,um dos grandes professores da atualidade,quando ainda aluno,se inspirou na
    escola brasileira de futebol,é um espanhol nascido na Catalunha e atualmente com 44 anos chamado Josep Guardiola i Sala.

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