
Ontem, no Mesa Redonda do Flavinho Prado, na TV Gazeta, o vice-presidente de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, disse com todas as letras que Muricy fica até quando quiser. Mas, se findo o contrato, na virada do ano, Muricy quiser dar um tempo ou parar definitivamente, o São Paulo irá atrás de um técnico europeu, pois tá na hora de mudar o panorama do nosso futebol insípido.
Descartou claramente técnicos argentinos ou uruguaios, embora Bielsa fosse uma exceção.
E citou, como um exemplo do passado, a passagem do húngaro Bella Gutman pelo Tricolor, em 57/58, o técnico que deu aquele toque de objetividade ao nosso futebol feito de muitos arabescos, ao influenciar Vicente Feola – à época, superintendente do São Paulo – na formação e no estilo de jogar da Seleção de 58, a primeira a se sagrar campeã do mundo, na Suécia.
A bem da verdade, nosso futebol sempre foi carente de técnicos inovadores e estudiosos de fato. São raros os exemplos, como Oto Glória, Zezé Moreira, o inventor da Marcação por Zona, Flávio Costa e sua Diagonal, uma variação do WM de Chapman, Martin Francisco, Tim e Cláudio Coutinho, que Zico vive a louvar por seus métodos revolucionários de treinamento no Flamengo da virada dos anos 70 para os 80.
Desde sempre, o futebol brasileiro só evoluiu no plano tático e na metodologia de treinamentos quando da presença de um treinador estrangeiro, como no caso do austro-húngaro Dori Kruschner, que implantou o WM no Flamengo dos anos 30, assim como uma série de argentinos, tipo Conrado Ross, e uruguaios, como Ondino Vieira, que por aqui desfilaram nos anos 40 e 50.
E não apenas nossos técnicos estiveram à reboque da história do futebol. Nossa imprensa esportiva, idem com batatas. Basta dizer que, quando o WM já estava incrustado na paisagem brasileira, os jornais e rádios ainda escalavam os times no sistema clássico já em desuso por décadas: o 2-3-5. E, quando os times já atuavam com quatro zagueiros, num claro 4-3-3, passaram a enunciá-los como se jogassem no WM. E assim vai.
Hoje mesmo, nossos bravos comentaristas exaltam o 4-1-4-1 como sendo a última palavra da tal modernidade, o que faz Caetano de Domenico, no seu túmulo centenário, morrer de rir. Ou, então, desfiam aqueles números de telefones, decupando posições como se o futebol jogado em campo fosse pebolim e os jogadores não mudassem de posição a todo instante desde que o sol nasceu.
Pra saber o que é realmente moderno basta assistir por meia hora ao Bayern ou ao Barça jogar. Não é necessário ir à Europa passar o tal ano sabático, a não ser que o treinador brasileiro esteja realmente interessado na metodologia empregada pelos famosos da Europa em seus treinamentos.
Não basta dizer que não temos os craques de que eles dispõem. Pois, se não os temos mais é porque nossos técnicos, desde os das bases, há décadas vêm desprezando os jogadores de habilidade pelos de força física e obediência tática. E assista a todos os treinamentos executados pelos professores de primeira linha por lá, onde também vicejam os atrasados.
Além do mais, cada qual dentro de seu padrão de excelência.
Mas, pra não demonizar o técnico brasileiro apenas por seu atraso, vale dizer que está tudo interligado. O tal futebol de resultado é fruto também da instabilidade no cargo, do conformismo da mídia, do torcedor e dos cartolas com o espetáculo que nos oferecem nossos times, e de um calendário estúpido, que não lhe reserva tempo suficiente para melhor aprimorar sua equipe.
E aqui pergunto: será que Guardiola, desembarcando amanhã no Morumbi, conseguiria aplicar seus métodos de trabalho nessas circunstâncias tão voláteis?
Salários atrasados, jogadores saindo e entrando a todo momento, pressão estúpida das torcidas, em especial as uniformizadas, drástica redução da qualidade técnica dos nossos jogadores, cartolas incompetentes, mídia despreparada, torneios mal engendrados, estádios vazios, enfim, um mundinho mergulhado na mais profunda crise de caráter e identidade, tudo isso permitiria que um europeu, por mais habilitado que seja, provocar aquele salto de excelência tão necessário?
É possível, mas muito improvável.
Olha sou saopaulino, mas ele pegaria o primeiro voo de volta p europa, porque temos que mudar tudo aqui td cartel, dirigentes, arbitragem, cbf, federaçoes , clubes cada um quer comer o outro, temos que parar tudo elaborar regulamento novo feito por liga clubes, com ajuda de jogadores e jornalistas, já estamos no fundo do abismo da incopetencia . umn abraço
Alberto Helena Jr.
Realmente o senhor é um retrógrado, viúva de Pelé, anti-corinthiano e invejoso. Dá sono ouvir suas opiniões. Eu nem sei o porquê comecei a ler seu blog, pois ele me faz sentir mais sono ainda. Graças a Deus você saiu do sportv, mas caiu de paraquedas na gazeta onde estragou o que era o melhor programa de esportes no Domingo e também anda querendo estragar outro que era um bom programa no final de tarde e início da noite da vida do paulistano. Essa bancada formada pela “vossa excelência” “o conhecedor” de esportes e o calunioso sãopaulino Flávio Prado juntamente com o insípido santista e eterno ex-arbitro Godoi formam a pior equipe de comentaristas de futebol do Brasil. Se para o senhor o futebol deve mudar, imagina a suas teorias, discursos e pensamentos? Suas ideias e falas estão se esvaindo como o néctar da vida de seu corpo e a hora da aposentadoria se faz mais do que necessário para o senhor.
Grande Alberto Helena.O sr está totalmente certo, no Brasil tudo é de meia boca para ruim, impossibilitando qualquer inovação e sucesso.
Caros amigos:
Conrado Ross era uruguaio.
Obrigado
Ariel Longo
Presidente de treinadores de Uruguai
É verdade. Desculpe a nossa falha. Aliás, uruguaio era também Ondino Vieira, que foi um dos técnicos que mais influenciaram nosso futebol no sentido de maior objetividade.
Abrçs, Ariel