Tite, na real.

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Antes de mais nada, devo adiantar que sou fã de Tite, como gente e como treinador de futebol, assim como o admirava na condição de volante de estilo, discreto, mas eficiente, dos seus tempos no Guarani e na Lusa. E mais: neste exato momento, se tivesse de eleger o melhor treinador brasileiro, meu voto seria dele.

Isto posto, vamos ao outro lado da questão, pois tudo tem duas faces na vida.

Tenho ouvido com a maior insistência que Tite tirou o ano passado passado para aprofundar-se nos estudos do futebol. Foi à Europa, conversou com o italiano Ancelotti, assistiu jogos lá e treinos do Real. Como resultado disso, implantou um sistema mais moderno no Corinthians, o que justificaria os bons resultados obtidos até agora, com exceção do empate diante do Ituano, quando escalou um mistão, o que eximiria o técnico do empate incômodo.

Então, vamos lá por partes.

A princípio, é preciso separar conceito de jogo do esquema aplicado  a um time. Qualquer sistema ou esquema – WM e suas tantas variações (4-3-3, 4-4-2 ou 3-5-2)  tanto pode ser ofensivo quanto defensivo, dependendo do conceito. Peguemos o 4-3-3, aquele que é mais utilizado pelas principais equipes da Europa hoje em dia.

Se o amigo escalar nesse esquema dois laterais defensivos e dois volantes de contenção, por certo, seu time será mais defensivo do que ofensivo. Mas, se preferir dois laterais que avançam com frequência e apenas um volante, que saiba sair, como gostam de dizer os técnicos e comentarista da moda, e dois meias, um armador e outro mais ofensivo, então, terá uma equipe mais agressiva, voltada para preferencialmente fazer gols, que é , em última análise, o objetivo do jogo.

Portanto, o esquema depende do conceito.

Nesse sentido, não há um pingo da chamada modernidade no jeito de jogar do Corinthians atuar. Joga com dois volantes – um mais defensivo; outro, mais ofensivo. E só. De resto, passou a praticar, no início dos dois tempos, uma marcação por pressão no campo adversário, que resultado obtido ou não, logo reflui para as tais linhas duas linhas de qautro no seu próprio campo.

Não é preciso tirar um ano sabático e viajar à Europa para verificar que os principais times de lá atuam com laterais que se mandam o tempo todo e apenas um volante, quando não sem nenhum de ofício. Basta ver os jogos que a tv nos mostra toda semana aqui.

O Bayern tem apenas Xabi Alonso ali, assim como o Barça, com Busquets e o Chelsea, Matic. O Real, quando podia contar com Modric e James Rodriguez, nenhum, pois tanto Modric quanto Kroos e James Rodriguez são meias típicos. E, neste momento, ao lado de Kroos, lá estão o nosso menino Lucas Silva, que aqui era segundo volante, na nomenclatura velha que seguimos a usar, e Isco, um meia ofensivo e habilidoso.

O Arsenal, na ausência de Arteta, um cover de Xavi, tem Coquelin, e o City é o único que ainda atua com dois volantes – Yayá Touré e Fernandinho -, com a ressalva de que Touré é volante, meia e atacante, quando não zagueiro, por força de sua técnica e sua habilidade incomuns.

Como se vê, a tal modernidade ainda não se expressa no futebol do Corinthians de Tite atual. Isso é uma falácia, capaz de iludir os papagaios que repetem os clichês em voga sempre que um microfone se abre diante deles.

Longe de mim diminuir o valor do trabalho de Tite, que merece todos os louvores, dentro do cenário do futebol brasileiro. Apenas, busco colocá-lo na dimensão real, não da fantasia.

 

 

 

7 comentários

  1. Demorou! Só quem é corintiano nota a diferença do futebol apresentado na atual passagem de Tite em comparação com a passagem anterior. Sobretudo na postura do time. Vocês que recebem para “cornetar” e comparar com times europeus se esquecem de que, assim como há jogos sensacionais lá fora há, também, partidas enfadonhas. Mas é normal. Afinal, tem comentarista que considerava o Fred como um dos grande centroavantes do futebol mundial! Não precisa falar nada, né?

  2. Só o Helena, para baixar a bola desses jornalistas e torcedores do tal poderosinho timinho do curitians, ganhou do Bambi morto e os jornalistas torcedores desse time, disseram pintou o campeão, quando na verdade ganharam de um pato morto, com um treinador ultrapassado e um tal de artilheiro chamado de pipoqueiro pelos próprios torcedores.O Mengão detonou esse mesmo no Torneio de Manaus e faturou sua primeira Taça do ano.Então o curitians tá muito longe de ser chamado de time, parece mais um bando, com um treinador mediano, que logo será chamado de Empatite”, arma o time para não perder.

    1. Vendo a arrogância do cidadão, logo dá pra imaginar porque ele não quis identificar o clube de sua preferência. Como admitir, com toda essa empáfia, que seu time, volta e meia, tenha que amargar uma segunda divisão…

  3. Sr. Alberto.

    Em que pese sua vasta experiência como jornalista esportivo, creio que sua visão futebolística poderia ser um pouco mais ampla.

    Futebol moderno, assim como Xadrez – comparação bastante pertinente a meu ver – não trata só de disposição de “peças” como também de como movimentar inteligentemente estas peças.

    O futebol moderno com certeza bebe diretamente na fonte de técnicos geniais do passado (Vide Laranja Mecânica de Rinus Michels), porém apresenta à contemporaneidade um dinamismo e uma complexidade tática que dão beleza a este espetáculo (vide Alemanhã campeã do mundo de 2014).

    Assim, sr. Alberto, a presente coluna, creio, pecou pelo simplismo e uma tentativa de reduzir o próprio futebol a um pragmatismo que, a muito, não tem lugar na moderna escola do futebol.

    A liberdade dada a um Elias atrelada a um time que marca sob pressão, atrelada a um rodizio de elenco evitando assim o desgaste excessivo de determinados jogadores e atrelada a instruções mais racionais do que emotivas, com passes curtos e tabelas que resultam em gols como os que vimos no ultimo Majestoso não são apenas uma questão de colocar as peças no tabuleiro.

    Não sei o que animou a coluna escrita pelo Sr., sei que ela apenas desanima o Futebol Brasileiro e a perspectiva de modernização tática que tanto necessitamos para que nossa Seleção Canarinho volte ao topo do mundo e, como diria Chico Lang:

    “E assim, caminha a mediocridade. E tenho dito!”

  4. Caro, Alberto Helena, sempre respeitando pontos de vista discordantes, é difícil entende-lo.
    O Corinthians claramente pratica um futebol que além de ser eficiente é bonito de se ver, trabalho todinho do treinador, que sabe como ninguém tirar dos jogadores suas melhores características e utilizando um esquema moderno sim transforma o futebol modorrento que vemos hoje praticado pela maioria dos clubes em algo prazeroso de se ver.
    Agora discutir conceito acredito que seja muito perigoso, pois o seu conceito pode ser muito diferente dos meus e assim vai.
    Na minha humilde opinião o Tite nada de braçada em relação aos outros treinadores.

    1. Caro Fernando:

      O artigo em pauta se referia a conceito de jogo e esquema ou sistema. Não à tática, à qual o amigo se refere, que é o movimento das peças como num tabuleiro de xadrez. Movimento esse que se altera ao longo de uma partida. Pra que possamos nos entender melhor, seria conveniente adotar a nomenclatura proposta há décadas pelo mestre Armando Nogueira, que dividia essa questão em estratégia, esquema ou sistema e tática, às quais acrescento o conceito, regendo basicamente as outras. Não se trata de opinião, que cada um tem a sua. Conceito de jogo, aqui, vai como definição entre jogar, de preferência, ofensivamente ou defensivamente.
      Estratégia é o plano de voo de uma equipe ao longo de toda uma temporada. Esquema ou sistema é a divisão básica dos jogadores em campo (WM, 4-3-3 etc.). Tática é a manobra em campo, antes e durante o jogo: este pega aquele, o outro atua mais pela direita ou pela esquerda, essas coisas. Tá?
      Um abraço.

  5. Boa Analise. Ainda estamos no começo do campeonato, mas a diferença entre o time do Tite e do Mano, já e visível. Seria por causa da vontade dos jogadores?
    Eu não acredito que o Tite mudou tanto com seu “ano Sabático”, mas alguma coisa ele aprendeu e mostrou isso quando jogou contra o SPFC. Só podemos ter um opnião completa deste “novo TITE” ao final do não, quando vamos analisar o que foi feito, e se o futebol terá alguma melhora. Nada em nivel de Europa, mas que o Tite possa trazer algo bom.

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