
Aqui, é transparência, meu! Essa pode ser a frase que melhor defina o técnico Muricy, hoje, alvo explícito do fogo cruzado entre as duas diretorias mais deploráveis da história gloriosa do São Paulo – a de Juvenal Juvêncio e a do seu sucessor Carlos Miguel Aidar, em quem não reconheço um traço sequer do jovem e sereno cartola do passado.
Dizem que a sabedoria vem com a velhice. Esse caso parece ser a exceção que confirma a regra.
O fato é que Muricy, que conheço desde seus tempos de juvenil no São Paulo e admiro desde os Campeonatos Dente-de-Leite dos meus amigos Roberto Petri, Eli Coimbra, e Sérgio Baklanos, chega a ser uma criança de tão transparente que é, no dia a dia, em casa, no trabalho ou em frente às câmeras e microfones.
Portanto, nenhuma novidade o desabafo feito depois do jogo contra o Audax, sábado. Resumindo o que disse: o que ele vende ao São Paulo é o seu trabalho; suas amizades ou inimizades, fora do clube, não diz respeito a mais ninguém. Portanto, não me cabe aqui aconselhar o velho amigo a escolher melhor suas amizades, mesmo porque, se foi um cartola deletério para o São Paulo, Juju é um tipo divertido, o chamado bom companheiro, sem alusão ao filme famoso.
O fato é que Muricy é São Paulo FC até a medula. E, se cartola tivesse juízo, Muricy teria a vida mais longa de um técnico em clube brasileiro da história. Lá mesmo, ao pendurar as chuteiras, fez brilhante estágio com Telê Santana – mestre melhor, impossível.
Assumiu o time titular e nem teve tempo de mostrar suas possibilidades que logo foi demitido, ponto de partida para um corolário de conquistas em tantos outros clubes – Náutico, São Caetano, Inter, dos que lembro agora.
Voltou ao Morumbi para levantar o único tri desde a existência do Brasileirão. Mesmo assim foi novamente demitido, pra ser campeão brasileiro em seguida no Flu. Abriu mão de ser técnico da Seleção porque sentiu cheiro de arroz queimado no convite feito por Ricardo Teixeira, aquele! E acabou na Vila, onde venceu, nada menos, do que uma Libertadores de América.
Voltou ao São Paulo para tirá-lo do rebaixamento e elevá-lo à vice-liderança do Brasileirão. A cada jogo, é recebido com ovações pela torcida, que o adora. Afinal, o que é que essa gentalha quer mais?
É verdade: não se trata de um professor instruído, desses que falam bonito, cheios de dedos, repetindo os termos da moda que sugerem uma intimidade esotérica com a tal de modernidade e cousa e lousa e maripousa. Muricy é pura Vila Sonia, meu.
Ah, mas não conseguiu ajeitar o time até agora, apesar dos reforços. Escalou errado aqui ou ali, substituiu mal naquele jogo, não tem o devido conhecimento teórico (quem tem, no Brasil?). Certo, mas o bicho tem lastro, gente. E vai dar a volta por cima, não tenho dúvidas. Se não for no São Paulo, certamente em qualquer outro clube por aí.
Melhor para ele e os tricolores em geral, aqueles que pagam ingressos e amam o clube de graça, que seja no São Paulo.
Enfim, parem de encher o saco do Muricy e deixem o cara trabalhar, porque aqui é trabalho, meu, e transparência, dois atributos tão raros no nosso futebol.
Se o cara perde é ruim. Se ganha não serve.
O importante é o profissional e o seu serviço prestado ao clube.
Meu , deixa o cara trabalhar , pô !!!!
Alberto Helena JR, respeito e admiro seu trabalho como jornalista. acompanho o senhor sempre que posso no arena Sportv, com seus comentários e analises pertinentes como profundo conhecedor de futebol.
A respeito de Muricy Ramalho no SPFC, a diretoria quer fazer o mesmo que fizeram com ele em 2009, fritaram ele para valer depois da eliminação para o Cruzeiro e Corinthians na libertadores e no campeonato paulista respectivamente e contrataram um técnico desconhecido e o São Paulo acabou a temporada pior do que estava com o mestre muricy