A performance de Zé Roberto no vestiário verde antes da estreia contra o Audax o habilita a, quando pendurar as chuteiras, assumir um púlpito em algum templo evangélico ou sair por aí fazendo palestras motivacionais em eventos corporativos.
A vida me ensinou que essas coisas às vezes funcionam, às vezes não. No esporte em geral, o discurso motivacional é aplicado desde sempre, por técnicos, dirigentes, os líderes de equipe, psicólogos, mais recentemente, quando não padres, pastores e os tais experts em assuntos desse tipo.
A turma reza nas capelinhas improvisadas nos vestiários, onde santos católicos se misturam com orixás e outras representações religiosas; o técnico sargentão xinga a mãe dos jogadores, quando não esbofeteia o mais abúlico da tropa; a psicóloga extrai do interior do craque a imagem de infância que lhe servirá de talismã para o jogo decisivo e assim por diante.
O ser humano é tão carente de estímulos externos capazes de mexer com sua alma, elevando-a, que qualquer dessas coisas tem lá sua serventia.
Há, porém, os que as dispensam. Lembro-me de uma entrevista com Lugano, que se dizia irritado com isso: “Se eu precisar de motivação extra pra jogar futebol, penduro as chuteiras”, dizia o becão uruguaio.
Já o imortal Jair Rosa Pinto, por exemplo, preferia que o cartola de plantão lhe escorregasse nas mãos uma nota de cem, no vestiário, antes do jogo, quando aquelas dores imaginárias poderiam impedir sua entrada em campo.
No caso específico deste Verdão, que vinha de mal a pior nos últimos tempos, com a autoestima lá no rodapé da vida, talvez se justificasse.
Mas, se trata de um novo elenco, já motivado naturalmente pra ganhar um lugar ao sol no jardim verde, em que o mais significativo é a maneira como o técnico Oswaldo de Oliveira vai ajeitando as peças do grande quebra-cabeças.
Nesse sentido, a motivação maior que ele me inspira é a declaração de que pretende reviver, com a dupla de volantes Arouca-Gabriel, neste Parque a que montara no outro com Rincón e Vampeta.
Dois volantes com ares de meias, capazes de imprimir uma saída de jogo mais leve e precisa, como exige a tal modernidade eterna. Isso pressupõe a possibilidade da utilização ainda, na mesma formação, de Valdívia, Allione ou Alan Patrick, Dudu e Rafael Marques, o que, se der liga, fará desse time uma atração singular nos campos brasileiros.
E essa, sim, poderá ser a maior de todas as motivações, tanto para a torcida quanto para os amantes do verdadeiro futebol.
Não sei para que time você torce,você é um comentarista ponderado e um grande conhecedor do nosso pobre futebol. (Atualmente)
Não é que nem alguns comentarista que tem por ai, comenta mais com o coração do que com a razão.
Parabéns……Helena Junior!
Um Abraço.
Obs.: Sou PALESTRINO!
O Helena Junior é são paulino.
Concordo. Escutei tanta imbecilidade de comentaristas parciais que fiquei muito irritado. Se fosse uma preleção de outro time ficariam a semana toda falando. Acho, sim, que foi muito importante a palestra no primeiro jogo e motivou muito. O palmeiras precisa de tudo quanto for energia e pensamento positivo, para que façamos um ano completamente diferente. Alberto Helena, você foi excepcional e imparcial. Serei a partir de hoje seu fã. Cheque de comentaristas que só escrevem e falam asneiras.
Coisa mais ridicula! Jogador que recebe R$ 300 mil por mês de um clube e precisa de alguem vir avisar que se trata de um time grande?
Isso acontece no Real, Manchester United e Bayer ?
Simplismeste ridículo.
Mania chata essa de todo mundo querer julgar tudo que as pessoas fazem. Se a palestra era adequada ou não, isso é problema do elenco. O que acontece nos vestiários só diz respeito aos jogadores e comissão técnica. E o que interessa a opinião do lugano? a história do Zé Roberto no futebol é infinitamente maior do a que a desse açougueiro uruguaio.
O Tiago está completamente com a razão. O que acontece dentro do vestiário do Palmeiras é problema exclusivo do Palmeiras e de mais ninguém.
Palavras muito coerentes, Alberto Helena Jr.
Trata-se do mais raso dos pentecostalismos: misturar o discurso motivacional antes de um jogo que inaugura o campeonato diz muito a respeito da boçalidade em que os boleiros (e muitos que vivem do espetáculo-futebol) vivem. Tudo muito raso: bata no peito do colega e diga “Palmeiras é Grande”. É como por sal para simular desertos. Como por amor de nação em torcida. Precisamos de algo maior do que torcer para nações; do que engolirmos o discurso de vencedor. Sua crônica ponderada e com dados peculiares vai na direção desse algo maior. O frisson da torcida deveria servir para isso.
Isso se o futebol ainda buscasse esse algo a mais que transcende o “transcendental” de quinta-categoria.
O rapaz deveria é vender seguros.
CALA A BOCA BOSSAL…QUEM DEVERIA VENDER SEGUROS É TUA MÃE.
Todos os times fazem isso, é que poucos mostram.
Um discurso muito legal e em boa hora, se não ajuda dentro das 4 linhas pelo menos mal não irá fazer. Parem de demagogia ou com críticas exibicionistas.
Abraços a todos.