
O Corinthians voltou da breve excursão à Terra do Pateta com o moral alto, apesar da derrota inicial diante do Colônia. Afinal, bateu o Leverkusen, terceiro colocado do badalado campeonato alemão e tal e cousa e lousa e maripousa. E venceu, equilibrando as ações. Quem desequilibrou foi novamente Guerrero, em compasso de espera para renovar seu contrato com o Timão.
A propósito, sem entrar no mérito das possibilidades financeiras do clube, afundado em dívidas como a imensa maioria dos seus pares, vale a gente dar umas voltinhas em torno desse assunto.
Não sei as quantias exatas que estão postas à mesa de negociação entre clube e jogador. Fala-se em oferta de 5 milhões de dólares para um pedido do jogador de 7 milhões, por três anos de contrato. A diferença, portanto, giraria em torno de 2 milhões, dinheiro que iria para o bolso do jogador e seus empresários, pois não há vínculo de Guerrero com outro clube. Coisa rara hoje em dia.
Imaginemos que houvesse. Que Guerrero tivesse seus direitos presos ao Cochinhonha da Patagonia. O Corinthians não desembolsaria esse dinheiro na hora dada a toda importância que esse jogador ganhou junto à torcida, aos companheiros e ao clube?
Vejo que há uma relutância maior por parte de todos – mídia e cartolas, sobretudo – quando se trata de negociações em que o jogador leva tudo ou quase tudo, como ocorreu no caso Neymar (não me refiro a eventuais desvios de conduta deste ou daquele cartola). Pagar para o clube, o grupo de investidores, essas coisas, é considerado normal. Para o jogador, não.
Ora, ele é quem dá o espetáculo. Ele é quem se submete a todas as exigências do futebol exaustivo de hoje em dia. Ele é quem leva o público aos estádios. Ele é quem chama patrocínios para o clube. Ele é quem, habitualmente, enriquece clube e investidores quando negociado.
Por que só a ele não é permitido levar o maior pedaço do bolo?
Essa visão é o resquício ainda da memória da Casa Grande e Senzala, algo que está impregnado na alma brasileira de forma indelével, apesar de todos os avanços no sentido de erradicá-la de vez.