
O amigo mais apressadinho apontará para a Terra do Pateta e dirá sentencioso: “Tá vendo? Isso foi apenas o terceiro tempo, uma sequência natural dos fatídicos 7 a 1, mais uma prova do nosso atraso em relação aos alemães”.
Bem, quem sou eu pra discordar, se esse atraso é tão evidente e já vai ficando de barba branca e bengala.
Mas, é preciso dar um certo desconto às derrotas do Flu e do Corinthians, pela ordem de entrada, para Leverkusen e Colônia, no torneio da Flórida. Afinal, os alemães estão em plena temporada, com o breve recesso do fim de ano pra cá, enquanto nossos times mal começaram a espreguiçar depois das justas férias.
Mas, só isso não explica, claro, a superioridade dos alemães sobre os brasileiros nessa disputa de tiro curto e raso significado.
O Fluminense, por exemplo, resistiu bem ao Leverkusen durante todo o primeiro tempo, quando tomou um gol de bola parada no finzinho. É verdade que, no segundo, foi inteiramente dominado pelo adversário, que meteu mais dois e obrigou Cavalieri a se virar diante de sua meta.
Um detalhe nesse jogo: reveja que no lance do terceiro (ou seria o segundo?) lá estão seis jogadores alemães na área brasileira, e tente achar cena parecida em todos os Brasileirões recentes, e, pelo jeito, futuros. Não encontrará nem a pau.
Já com o Corinthians, deu-se o inverso: tomou um gol logo aos 13 minutos, em belo lançamento de Risse por cima da defesa, e não viu a cor da bola até a volta para o segundo tempo, com o time todo alterado, exceção feita ao goleiro Cássio. E bem que botou as manguinhas de fora por um bom tempo, marcando melhor o Colônia e fustigando a defesa adversária com contragolpes velozes, sem, contudo criar alguma chance real de empatar esse jogo.
Nesse período preferi ficar de olho em Mendoza, o atacante colombiano recém-chegado a Itaquera. Canhoto esperto, move-se por todos os cantos do ataque, mas sem a necessária contundência. Talvez, ao lado de Guerrero funcione melhor. É esperar pra ver.
Mas, tudo isso não passa de um mero recomeço tanto para Corinthians quanto para Fluminense. Pena que, pelos primeiros sinais, seja apenas um recomeço e não um novo começo, em outro patamar de estilo, visão e conceito.