
A entrevista coletiva de Ricardo Oliveira passou-me a sensação de que uma lufada de esperança soprou sobre a Vila, neste momento tão sombrio em que o Peixe está com os cofres vazios, cheio de dívidas e com os jogadores escapando pela janela em busca dos salários perdidos.
A imagem que guardo na memória de Ricardo Oliveira é a daquele centroavante goleador, mas de boa técnica, dos tempos do Santos, do São Paulo e da Seleção. Sobretudo, porque está lá fora há muito tempo, correndo por campos encobertos da nossa visão, com 34 anos de idade e sem jogar há cinco meses, como ele mesmo nos informa.
Contudo, garante que manteve a forma nesse período todo e seu talhe delgado sugere isso mesmo.
Assim como garante que não volta à Vila pelo cheiro da grana. Veio, sim, pelo gosto de jogar, e para atender a um pedido de seu filho que queria vê-lo com a camisa branca de tantas glórias.
Há quem veja nisso um discurso de ocasião, mel na boca dos peixeiros, coisas do gênero. Mas, a impressão que me causou foi de sincera confissão.
Só com a bola rolando poderemos avaliar tudo isso.
O único problema que vejo é a volta à estaca zero de Gabigol, algo como nos tempos de Leandro Damião. Como Ricardo Oliveira é a principal atração agora do time e seu contrato é de curta duração, praticamente para o Paulistão, Gabigol deverá voltar à condição de mera opção, num ataque que já tem pelos lados Robinho e Thiago Ribeiro, além de Geuvânio.
A não ser que o técnico Enderson Moreira resolva romper com as regras de ouro vigentes no nosso futebol e abra novas perspectivas na formação de uma equipe mais ousada e temerária, o que acho difícil, seja pelo que se conhece do trabalho do treinador até aqui, seja pela precariedade de sua situação no clube, apesar da recente renovação de seu contrato.
Mesmo porque vai ter de encaixar também Elano, outra incógnita nesse time, que já perdeu o goleiro Aranha e está perdendo Edu Dracena, o que forçará o técnico a olhar com maior desvelo para o seu sistema defensivo.