
O Arsenal é um desses times que dá gosto de ver jogar – bola de pé em pé, ao estilo do Barça, do Bayern, enfim, dos times que buscam jogar bola, ganhando, perdendo ou empatando.
Há anos, o Arsenal não ganha nada, mas diverte. E só isso dá a medida da mentalidade dos cartolas de lá, que mantêm o técnico Arséne Wenger, entra ano, sai ano sem um título sequer, depois daquela conquista extraordinária de dez, onze anos atrás.
Neste domingo, o Arsenal meteu 3 a 0 no Stoke City, em mais uma exibição de gala do chileno Lionel Sanchez, autor de dois gols e de assistência no outro, de Mtersaker. Com três atacantes por vocação e formação e mais dois meias de ligação, como se dizia antigamente (Rosziky e Cazorla), o Arsenal meteu o Stoke na roda e poderia ter ampliado esse placar ao infinito, se forçasse mais.
O grande problema do Arsenal, assim como da maioria dos times ingleses, é a síndrome da enfermaria. O jogador que ali cai não sai tão cedo. Às vezes, fica quase um ano, como no caso de Walcott, que só agora está voltando à ativa, ao lado de Ozil e Ramsey, outros que ficaram longo tempo em recuperação de lesões. Se eu fosse presidente do Arsenal, em vez de convocar mais jogadores para um elenco tão seleto, viria aqui e levava toda a equipe de médicos, fisiologistas, fisioterapeutas e preparadores-físicos do São Paulo, do Palmeiras, do Corinthians, qualquer um desses clubes brasileiros, pois, nessa área, passamos a ser reis.
Já o problema do Manchester United, que acaba de perder o terceiro lugar para o modesto mas brioso Southampton, ao perder esse jogo por 1 a 0, parece ser a inconstância de seu treinador, o holandês Van Gaal.
Esse técnico tão festejado, apesar daquela expressão de nojo permanente que cobre suas feições, me passa a sensação de que regrediu na profissão, se compararmos seus trabalhos recentes com os dos tempos do Ajax campeão do mundo e do início de sua atuação no Barça.E inclua aí a Seleção Holandesa, terceira colocada na Copa, que chegou até lá exclusivamente pelo talento e dedicação de Robben.
Mexe demais na equipe, e resolveu, na contramão da história, resgatar a tal formação com três zagueiros, o que reduz a capacidade de criação de seu meio-campo e força o time jogar aos soluços.
Foi exatamente isso que ocorreu diante do Southampton, um time de recursos limitados, muito bem armado defensivamente, que resistiu à eventuais investidas dos Diabos Vermelhos, até chegar ao seu gol, num raro ataque.
É o preço pelo resgate do equívoco do passado.