Tricolor: o roto e o esfarrapdo

Foto: Gazeta Press
Juvenal Juvêncio e Carlos Miguel Aidar na década de 80, época dos Menudos do Morumbi

O São Paulo está líder disparado do Campeonato Mundial Varzeano de Cartolas, com essa troca incessante de pedradas entre o ex-presidente Juju e o atual, Carlos Miguel. Logo o São Paulo, sempre tão cioso da imagem de um clube discreto, eficiente e ético nas atitudes de seus dirigentes.

Sim, já houve no passado alguma indiscrição, muita ineficiência e certa falta de ética. Mas, nunca no nível de escracho atual.

Houve até o afastamento do quadro associativo de um ex-presidente, tipo elegante e cordato, talvez o maior vencedor da história do clube, o Pimenta, por envolvimento com o empresário Todé nas negociações de jogadores. Tempos depois, foi readmitido, nas sombras da discrição.

Há uma história ainda mais antiga, que estigmatizou os primeiros dirigentes do clube, aqueles que levaram o São Paulo à falência, na aquisição do Trocadero, luxuoso prédio no centro da cidade. O que fez, depois da refundação do clube em 35, o atual Tricolor eliminar aquele tal São Paulo da Floresta de seu calendário histórico, embora tenha sido campeão paulista em 31 com ninguém menos do que o primeiro ídolo nacional, Arthur Friedenreich, uma lenda brasileira. Grande asneira, diga-se.

Mas, isso são histórias antigas e intermitentes na vida do São Paulo, que andou mais na linha do que descarrilou na trilha do bom senso.

O que acontece agora não tem precedentes. É o roto falando do esfarrapado.

Juju, certamente, foi o mais deletério dos presidentes tricolores. Nas duas oportunidades em que exerceu o cargo. Na primeira, vendeu para o exterior todo aquele ataque sensacional dos Menudos – Muller, Silas, Careca, Pita e Sidney -, para fazer aquele jardinzinho à beira do gramado do Morumbi, que tem o escudo do clube impresso.

Acredite quem quiser.

Na segunda gestão, rasgou a alma tricolor, aquela que mantinha o clube no topo da prática democrática, em que o presidente  podia cumprir no máximo quatro anos de gestão, caso se reelegesse.

Herdou de Portugal  Gouveia um time campeoníssimo, e aos poucos foi diluindo em água rasa, gastando os tubos em contratações absurdas.

Por arrogância e inabilidade, perdeu o Morumbi como palco da abertura do Mundial e até mesmo dos grandes jogos de seus adversários.

Na impossibilidade de seguir avante, depois de oito anos de desastrosa administração, escolheu Carlos Miguel, o ex-presidente que o havia escalado como diretor de futebol e, em seguida, como seu sucessor, lá atrás.

E correu para Cotia, uma mina de ouro que funcionava a pleno vapor longe dos olhos do dono.

De lá, foi expelido pelo seu antigo criador e atual criatura, por gestão, digamos, inapropriada.

Pronto, formou-se o bafafá!

E veio à tona essa história da namorada do Carlos Miguel, que tinha contrato com o clube como agenciadora de negócios. Que negócios? Por exemplo: a entrada na Puma no Morumbi, que Carlos Miguel nega tenha sido concretizada. Mas, que a Puma assegura ter um contrato firmado antes mesmo de a namorada entrar em cena. Segundo a empresa internacional, o nó surgiu exatamente porque a Puma se negava a aceitar a namorada como intermediária no negócio.

Afinal, quem é o responsável por isso tudo? No fundo, o Conselho do clube, construído à sombra de um e de outro e que não é capaz de cumprir seu alto desígnio, escolhendo para presidente alguém compatível com a tradição do São Paulo.

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