Medina, Eder e nossa desmemória

Kent Nishimura/AFP
Kent Nishimura/AFP

Medina está na crista da onda da euforia nacional. Pelo menos, nas manchetes dos jornais, na Internet, na televisão, nas rádios e, quem sabe, nos papos da padaria da esquina, embora duvide que as discussões a respeito possam mergulhar nas profundezas do tema. Afinal, o surfe navega na periferia das preferências esportivas do brasileiro em geral.

Todavia, Medina merece o mais caloroso e fraternal abraço verde-amarelo, sobretudo, por isso mesmo. Singrou a gigantesca onda da indiferença cotidiana até  atingir o topo da história: o primeiro brasileiro a se sagrar campeão do mundo da categoria.

Só me pergunto por quanto tempo esse feito glorioso permanecerá fresco na memória de cabeça de alfinete do brasileiro.

Ainda outro dia, a comunidade mundial do boxe elegeu o nosso querido Eder Jofre como maior peso galo da história da modalidade. Ele, que já tinha um nicho no Hall da Fama, foi nosso primeiro campeão mundial de boxe. E que campeão!

Só para o amigo ter uma ideia, a revista norte-americana Ring, a bíblia do boxe, ao comentar o fato, elevou Eder ao patamar de Muhammad Ali e Ray Sugar Robinson, como os três campeões mais técnicos da história.

A homenagem mereceria a presidente Dilma decretar feriado nacional. Mas, a notícia não se ergueu além de um pé de página na nossa imprensa em geral. Talvez, nem tenha chegado à compreensão do próprio Eder, hoje confinado ao limbo do Mal de Alzheimer.

Infeliz o povo que necessite de heróis, já disse um sábio. Tão infeliz como o que esquece tão rapidamente aqueles que fizeram sua história, acrescento.

4 comentários

  1. Bom dia Alberto Helena!
    Tenho certeza que você foi irônico na frase -“homenagem mereceria a presidente Dilma decretar feriado nacional” – acho que a maior homenagem, seria estar presente na memória das pessoas.Não é uma crítica, só tentando acompanhar seu raciocínio, e espero ter acertado!
    No dvd do “Divino”, você foi simples e perfeito na sua homenagem, e como Palmeirense, agradeço e Obrigado
    Um grande 2015 a você, que admiro no meio jornalístico Brasileiro.

  2. Caro Alberto:
    Mesmo pessoas fora de série, autores de proezas que atingem toda uma sociedade são esquecidos. Não há imortais, nem mesmo na academia brasileira de letras. Mas, independente de o mundo ou apenas nós sabermos, aquilo que fazemos em vida se reflete na eternidade: não de todos, mas a nossa. Grande abraço!

  3. Caro Alberto, uma dos elementos que contribuem significativamente para o brasileiro ter cabeça de alfinete é a mídia também cabeça de alfinete. Quantas matérias de outras modalidades esportivas fora o futebol o veículo de comunicação que você faz parte veicula todos os dias? Quantas matérias sobre esta modalidade vocês publicaram este ano? A mídia está mais preocupada com os lucros com os contratos publicitários vinculados ao futebol do que com a divulgação de uma verdadeira cultura esportiva!

  4. É verdade Alberto, concordo com você sobre a pífia cobertura do fato pela imprensa! Fui um dos eleitores de Eder Jofre na categoria de maior Peso-Galo da história do WBC…
    Incrível como só se fala de Pelé e se esquece de outros grandes atletas Brasileiros, tal qual Jofre, que em sua época de Peso-Galo foi considerado por alguns não só o melhor Peso-Galo, mas o melhor pugilista da história do boxe (há capa da The Ring com este questionamento).
    Apenas uma correção: a diagnose de Eder foi corrigida e ele não tem Alzheimer.

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