E as urnas da Vila gaguejaram um nome

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

Depois de soluçar e gaguejar, diante de tamanha lambança, as urnas da Vila expeliram o nome de Júnior, o filho de Modesto Roma, sucessor de Athiê Jorge Cury no Reino de Pelé.

Avantajado, fala um tanto gutural e lenta, Modesto Roma Jr. lembra muito seu pai.

Athiê, que na juventude foi goleiro até de seleção, e Modesto Roma presidiram o Santos na fase áurea do clube e entraram para a história do Peixe.

Mas, com a distância do tempo, suas obras merecem muitos elogios e iguais restrições.

Numa época em que não havia patrocínio de camisas e outros bichos, os clubes viviam das arrecadações de seu corpo associativo e das rendas obtidas nas bilheterias pelos times de futebol.

O Santos tinha, então, uma legião de fãs muito inferior à dos demais grandes de São Paulo. Mas, tinha um timaço, o maior da história do futebol. A ponto de faturar em suas frequentes excursões ao exterior bolsas superiores à da Seleção Brasileira bicampeã do mundo. Não só por causa de Pelé, que também era a estrela mais cintilante da Seleção, mas, sobretudo. Basta dizer que, com Pelé, Garrincha, Didi e cia., a Seleção recebia cerca de 50 mil dólares por partida amistosa. O Santos, 80 mil. Isso, quando o dólar valia, por baixo, dez vezes mais do que hoje em dia.

Estou falando dos anos 60. Época em que o Peixe poderia ter criado uma infra estrutura capaz de colocá-lo no nível de um Real Madrid, seu grande rival, então, que sempre fugiu de campo nesse confronto que ficou no imaginário do futebol.

Mas, o Santos preferiu se aventurar naquele mico chamado Parque Balneário, hotel de luxo da cidade, onde investiu os tubos e ficou com um elefante branco nas mãos. Isso, sem falar em desperdícios como aquela maleta com 25 mil dólares (o equivalente a 250 mil dólares, hoje) esquecida por um diretor no balcão de um aeroporto em alguma parte do mundo. Coisas do tipo.

Apesar disso tudo, o Santos cresceu, multiplicou sua mirrada torcida, deixou seu nome semeado em várias partes do planeta e segue aí na elite do futebol brasileiro, sempre revelando novos valores por força de sua tradição. O mais recente nem preciso citar, aquele predestinado a ser, mais cedo ou mais tarde, eleito o melhor jogador de futebol do mundo – Neymar, claro.

Antes das eleições de sábado, tive o desprazer de ouvir as propostas e os debates entre os cinco candidatos à presidência do clube. Confesso que, mais do que decepcionado, fiquei constrangido diante de tamanha ausência de ideias e projetos.

Torço para estar redondamente enganado e que Modesto Roma Jr. e seus auxiliares me surpreendam como uma gestão dinâmica e original.

Mas, pelo que conheço dos nossos cartolas, permitam-me manter todas as reservas do mundo.

 

7 comentários

  1. Venha quem vier seja quem for o que é preciso entender que SANTOS F.C. é e foi o time mais respeitado no mundo e sendo assim é preciso ser dez igual PELÉ pra deixar a nação praina orgulhosa desta nova administração seja bem vindo MODESTO ROMA JR.mostre a sua garra

  2. Somente 30% dos associados aparecerem para votar, ou seja acharam que as urnas da Vila Belmiro eram um pinico, eleger Modesto Roma Jr é o fim da picada, em protesto estou cancelando o meu registro de sócio.

      1. Espero que o Leo termine seus cursos de gestão de futebol rapidamente pois essa velharia de cartolas não tem a minima chance de fazer uma gestão decente no meu peixe querido!

  3. Coitados , elegeram um presidente da torcida jovem do santos,,,,,,,,aquele que irá construir um MUSEU ,,,sim MUSEU , enquanto outros clubes / times constroim MEMORIAL…parabéns torcida jovem do santos…..
    OBS…alguém deve estar me chamando de analfabeto em escrever o nome do santos em minusculos,,,,time pequeno se escreve assim mesmo,,,,,,,pequeno, boas passagens para 2016 ,,,sim 2016 anos em que esse timeco vai disputar a segunda divisão…..kkkkkk

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