O saco cheio do futebol sul-americano

Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Depois de uma rodada da Liga dos Campeões, assistindo ao desfile de um Bayern, um Barça, um Real, um Chelsea, fiquei constrangido ao acompanhar aquela pelada entre River Plate e Nacional de Medellin, pela Copa Sul-Americana. Que pobreza…

A primeira vez que vi o River em campo, assim, a olho nu, foi um espanto. Lá estavam alguns deuses do futebol argentino, como Di Stefano, Moreno, Labruna, Nestor Pipo Rossi, Carrizzo, todos vestidos com camisas brancas e a faixa vermelha de seda, botões de madrepérola e calções negros de cetim. Um luxo, na estampa e na bola que eles faziam rolar de pé em pé, no que mais tarde, fiquei sabendo se tratava do tradicional toco y me voy portenho.

Era muito menino, então, coisa de sete anos de idade e as vagas lembranças que me restam são essas, de puro encantamento.

Não me refiro a essas memórias do passado longínquo movido por saudosismos, essas coisas tão próprias da época natalina, não. Pois, cenas como aquelas Messi, Tevez, Di Maria, Aguero e cia. bela continuam a nos apresentar a cada semana lá na Europa, que importou da América do Sul não apenas os talentos individuais, mas a nossa própria alma. E mandou-nos de volta a sucata deles: correria desenfreada, bate-que-bate, chuveirinhos e as bolas paradas.

Basta rever os dois gols do River: dois escanteios, duas cabeçadas certeiras, e fim de papo.

Igualzinho ao que víamos antigamente na Europa e que vemos hoje por aqui, com raríssimas exceções, como o Cruzeiro de Marcelo Oliveira, por exemplo.

Há quem maldiga a ausência de brasileiros nas finais recentes tanto da última Libertadores quanto desta Copa Sul-Americana, ambas vencidas por times argentinos: o histórico, porém, modesto San Lorenzo, e um River desconectado de sua história, que acaba de voltar da segunda divisão deles lá.

Isso não faz diferença alguma. Afinal, somos todos farinha do mesmo saco.

Um saco que já encheu até a borda.

 

 

6 comentários

    1. Isso a que chamamos de tecnico são uns lixos. Treinador é a palavra correta. Tiram a criatividade do garoto em nome do esquema tatico. Centro avante agora é ponta esquerda . lateral é ponta. e E ai o futebol perde o encanto, a magia . Magia de Di Stefano , Moreno labruna, Nertor Rossi , Luis Villa, Boye , Ficam aqui ´so esses lixos e os que voltam são peladeiros . Triste fim de nosso futebol. Voltemos ao passado mandando esses tecnicos procurarem emprego na construção civil . Por favor nos deixem em paz. O futebol não precisa de voces.

    2. Futebol Sul-americano vai ficar muito tempo sem ver o que é ganhar uma Copa do Mundo. Quem assiste a Champions, Bundes e Barclay League e vê a organização dentro e fora de campo perde o tesão pelo futebol apresentado no Brasileirão e Libertadores. Pobre em todos os aspectos amador em todos os sentidos. Estádios vazios tirando raríssimas exceções em jogos do Cruzeiro, Flamengo, Corinthians únicos que conseguem atingir uma média de 30 mil por jogo que para os padrões europeus equivale ao publico da segunda divisão do campeonato Inglês. Não vejo luz no fim do túnel alias parece que tudo voltou a perfeição ninguém cobra mais a CBF, o Dunga é um super técnico a seleção voltou a ganhar das poderosas Suíça, Colômbia e quem mais mesmo????

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