
No trenó do Papai Noel viaja um balaio de especulações e expectativas sobre o que será do seu time no ano que está chegando. Isso é de praxe.
O diabo é que os clubes estão mergulhados em dívidas, salários e direitos financeiros de jogadores e técnicos inflacionados, o mercado publicitário no Brasil em retração profunda, assim como toda a economia do país, tudo isso sem falar no aparecimento de novos e poderosos competidores na área – China e EUA, além dos já tradicionais europeus, japoneses e árabes.
Então, sugiro ao amigo torcedor muita calma nessa hora. Baixe as expectativas, meu caro, porque a situação é mais crítica do que parece.
Apesar disso, a cartolagem segue caminhando no arame. E o São Paulo, por exemplo, já contratou Carlinhos, lateral-esquerdo revelado pelo Santos e que teve excelente passagem pelo Fluminense. Melhor do que Álvaro Pereyra, sem dúvida. E lança olhares cobiçosos sobre Cleiton Xavier, alternativa até superior para a vaga deixada por Kaká.
Aliás, por falar em Fluminense, está aberta a porta das Laranjeiras para quem quiser ir às compras. Isso porque a Unimed saiu de campo, deixando o Flu com um elenco ilustre de jogadores em fim de contrato e a brocha na mão, sem a escada a seus pés.
E, mais uma vez, a história se repete: ao longo de uma parceria altamente vantajosa para o clube, período em que o Flu deveria amealhar seu pé de meia para o dia em que o divórcio chegasse, não há um tostão no fundo do cofre. Mais ou menos o que aconteceu depois do rompimento entre Palmeiras e Parmalat.
Na verdade, nestas duas últimas décadas, por baixo, os clubes se transformaram numa casca de ovo abrigando uma infinidade de interesses alheios.
Por exemplo: a maioria dos nossos clubes investiu a alma na construção e manutenção de centros de treinamentos de excelência para as categorias de base, teoricamente, uma mina de recursos técnicos e financeiros para si mesmo. No entanto, praticamente toda essa legião de jovens promessas já pertencem a meia dúzia de empresários. Quer dizer: o clube investe e quem leva o pedaço maior do bola é o empresário.
Conselheiros, diretores e até presidentes participam dessa festa, direta ou indiretamente.
Culpa dos empresários? Nada disso. Eles apenas se aproveitam da brecha que os clubes, mal geridos, por incompetência ou interesses escusos, oferecem. A culpa é dos cartolas, meu, que não cuidam de seus clubes com acuidade e desinteresse pessoal.
E o pior de tudo: se eventualmente houvesse alguma perspectiva de o governo (executivo, Legislativo e Judiciário) interviesse para regular melhor essas questão, esqueça.
Pelo que se vê a cada dia, a emenda seria pior do que o soneto.