A Academia suspensa no tempo

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press

Durante o dramático desfecho do Brasileirão no Parque, alguém estendeu uma faixa nas arquibancadas com os seguintes dizeres: Palmeiras, a Eterna Academia.

Foi exatamente esse o título que dei ao meu livro sobre a história do Verdão, anos atrás, uma edição caprichada, com belas fotos do grande Cristiano Mascaro e design do genial Victor Burton, encomendada pela DBA, do meu querido amigo Alexandre Dória.

No livro, tento narrar a história do Palmeiras inserida numa teia de conexões com as realidades vividas em São Paulo e no mundo ao longo do tempo, ressaltando assim a incrível capacidade desse clube, originalmente restrito à colônia italiana da Paulicéia do início do século XX, de se transformar, mudando de pele de acordo com as circunstâncias sem, porém, alterar sua alma.

Mais do que isso; o impulso pioneiro desse clube, que sempre esteve na vanguarda das grandes mudanças no futebol.

Mais tarde, o livro foi atualizado, para incorporar a era Felipão. E, nesse processo, houve alterações no texto, suprimindo partes que se relacionavam ao processo político brasileiro, sobretudo, no período da ditadura militar, o que consenti, diga-se, pela preservação do essencial.

Quando se aproximou o ano do centenário verde, pensei cá comigo: será que vão pedir outra atualização? Não pediram. Entre outras coisas, porque, de lá pra cá, a Academia ficou suspensa no tempo e no espaço. O que se desenrolou, então, foi um drama melancólico, depressivo, com pequenos surtos de esperanças da volta à grandeza histórica do time.

De resto, era cai, não cai, cai, não cai. Ou, não cai e cai, uma, duas vezes, três vezes?

Desta vez, escapou, sabe Deus como. Ou melhor: graças a Fernando Prass e Valdívia, sem contar a força moral do peixeiro Thiago Ribeiro, que arrancou do peito verde o peso negro da incerteza com aquele gol no finzinho, lá no Barradão.

É verdade que se os times palmeirenses vêm se arrastando no limiar do vexame nestes anos todos, o Palmeiras, como clube, reergueu-se na construção do majestoso Allianz Parque, mantendo aquela capacidade genética de se transformar e crescer como entidade, até nos seus momentos mais críticos.

Sem botar um tostão de seu exaurido bolso pela incompetência de tantos dirigentes que por lá passaram, o Palmeiras conseguiu arquitetar uma fonte de receitas significativa para os próximos anos.

Basta que alguém de juízo passe a cuidar do clube com esmero para que, em breve tempo, o Palmeiras volte a ser o que nasceu para ser: um grande entre os grandes.

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