
A entrevista coletiva de Levir Culpi, depois do jogo, foi uma pequena obra-prima de lucidez bem humorada, profunda e abrangente, tratando não apenas da conquista do Galo como, de resto, do futebol brasileiro, para não dizer do nó que ata nossa gente em geral: a falta de educação no seu sentido mais amplo.
Palmar a resposta que deu a um repórter sobre as suspeitas de que não estava atualizado com o futebol brasileiro, quando contratado pelo Atlético, por ter passado muito tempo no Japão.
– Se vocês pensam que fui ao Japão ensinar futebol pra eles, estão redondamente enganados. Fui aprender, isso, sim, em termos de organização. E muito do que aprendi lá trouxe pra cá. Desatualizado está o futebol brasileiro, em todos os seus níveis, da organização fora do campo ao jogo praticado dentro dele.
E seguiu nessa linha. Por exemplo, a respeito do mantra repetido aqui à exaustão depois da derrota humilhante por 7 a 1, na Copa do Mundo, segundo a qual precisávamos imitar os alemães quanto à formação de jogadores e tal e cousa e lousa e maripousa.
Falar em organização no que se refere aos alemães é brincadeira, meu! Lá, tudo é organizado, há séculos, resumindo o que disse o técnico. E tudo começa com a base de qualquer sociedade decente – a educação.
E aqui me permita Levir meter uma colherzinha complementar: educação, de verdade, aquela voltada para construir o cidadão, não o candidato a um diploma qualquer que lhe dê status social e acesso a bons empregos.
Mesmo porque o brasileiro é muito esperto, pouco inteligente e nada sábio, esta é a cruel verdade. Prova disso é que raros são os que sabem a diferença entre estas três categorias.