O Poderoso Chefão Parte Sempre

Gazeta Press
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Ainda ontem, vi na tv uma paródia da eleição de Eurico Miranda no Vasco. Lá está ele, com um meio sorriso plastificado no rosto, gordo, de suspensórios, mostrando nos dedos o V da vitória, ao som da trilha musical de O Poderoso Chefão, autoria de Nino Rota, o imbatível.

Veio-me, então, à lembrança o dia em que conheci Eurico Miranda, justamente naqueles anos finais da década de 70, quando a tricologia do filme de Francis Ford Coppola ainda fazia sucesso mundial.

Terminado o treino da Seleção em São Januário, aquela que se preparava para a Copa de 78 na Argentina, o Zé Roberto Cavalo, repórter da Band (na época, ainda era TV Guanabara), me puxou pelo braço;

– Quero que você conheça um cara incrível!

– Quem?

– O novo diretor de futebol do Vasco, Eurico Miranda, Vem, vem!

E eu fui, arrastado pelo Zé Roberto, até a porta de uma saleta guarnecida por uma secretária gentil, com quem Zé Roberto pedia autorização para falar com o cartola. Porta semi aberta, vislumbrei o  ainda jovem Eurico conversando a sotto voce com um bando de repórteres da casa. Ao me ver espiando a cena, Eurico mandou alguém fechar a porta.

Se isso lhe faz lembrar de alguma cena de O Poderoso Chefão não é mera coincidência. Pois, foi a mesma imagem que se instalou de imediato na minha cabeça naquele exato momento.

Só não dei meia volta e fui cuidar da minha vida porque Zé Roberto me impediu no instante em que a porta se abria novamente, e o chefão se dignou a nos receber. Ao saber que era jornalista de São Paulo, seu rosto fechou novamente, como se estivesse diante de alguém que não lhe traria nenhum lucro. Logo, dispensável.

Dispensei-me de imediato, xingando o Zé Roberto de todos os nomes por me ter conduzido àquela cilada por ele imprevista, claro.

Bem, de lá pra cá, não preciso tomar o tempo do leitor com a série de estripulias praticadas pelo cartola em questão.

O pior é que a saga continua, com o desfecho de um filme que já estamos cansados de ver.

3 comentários

  1. A paixão do torcedor pelo time de coração não tem escrúpulo e Eurico é a esperança para que o vasco volte a vencer. Neste filme se o final for bom para o vasco pouco importa os recursos utilizados.

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