
A Áustria já foi chamada de Wunderteam Team (Time Maravilhoso) , isso lá pelos anos 20/30, antes de ser anexada pela Alemanha de Hitler. E o ícone desse time era Sindelar, o Homem de Papel, pela leveza de seus movimentos, que foi encontrado misteriosamente morto ao lado de sua namorada, quando a Gestapo (a polícia política de Hitler) o procurava por ser pró-judeu e social-democrata, dois crimes graves para os nazistas.
Depois da Segunda Guerra Mundial, ainda manteve um bom padrão de excelência, com craques como Ocwirck, que cheguei a ver jogar pelo Áustria Viena, nos anos 50 – meio-campista de refinada técnica e muita liderança sobre os companheiros.
A partir dos anos 70, porém, a Seleção Austríaca caiu na vala comum dos times, no máximo, médios da Europa. Até que, a exemplo de Suiça e Bélgica, elevasse a fronte nestes últimos três anos. E, neste momento, lidera seu grupo nas Eliminatórias da Eurocopa, acima de Rússia, que acaba de bater por 1 a 0, no sábado, e Suécia.
Quer dizer: não é nenhuma galinha morta a seleção que o Brasil vai enfrentar nesta terça-feira, embora desfalcada de seu principal jogador – o lateral e meio-campista Alaba, do Bayern de Munique, um jovem canhoto de muita habilidade e chute potente. Pra mim, o melhor lateral-esquerdo do mundo nos últimos dois anos.
De qualquer forma, mais um teste interessante para a Seleção de Dunga, até agora invicta nos amistosos do pós-Copa.
Com a vantagem de que nosso time pôde fazer aí alguns treinamentos entre a goleada sobre a Turquia e o próximo jogo na Áustria. Treinamentos que, segundo Felipe Luís, foram aprovados pelos jogadores, por sua intensidade e foco, como se diz hoje em dia.
Treinamento é sempre bom, claro, pra ajustar a equipe, assim como é ótimo vencer e não tomar nenhum gol, a exemplo do que acontece com a Seleção de Dunga. Meu medo é que isso se transforme no único foco da comissão técnica e dos jogadores, neste momento reservado pelas circunstâncias para o técnico fazer experiências, sobretudo com os novatos.
É verdade que Dunga tem feito essas experiências, todas bem sucedidas a meu modo de ver. E, se o técnico seguir esse roteiro, creio que será a vez de vermos em campo o menino Iaiá Talisca, o único dos novos convocados que ainda não entrou em campo. E, quem sabe, ver por mais tempo em campo, contra uma seleção mais categorizada, o sistema com apenas um volante de ofício adotado no final da partida contra a Turquia.
Vejamos, vejamos…