O capitão e o líder

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Tenha sido ou não desvio das palavras pronunciadas por Thiago Silva, provocado pela imprensa mais sensacionalista, o fato é que nosso beque demonstrou nestes dias que não tem o perfil mais adequado para exercer esse cargo ilustre na Seleção.

Extraordinário zagueiro, moço correto e tal e cousa e lousa e maripousa, Thiago, porém, passa a sensação de ser emotivo demais para atuar como emblema, líder de um time em formação, com muitos jogadores jovens, e que vem de uma catástrofe histórica na Copa do Mundo.

Já, durante a Copa, dera sinais de falta de auto controle ao cair no choro e em evidente depressão nos momentos mais cruciais vividos pelo time.

O choro revela bons sentimentos, claro, mas não cabe num capitão, teoricamente o líder maior de um grupo de jogadores.

Aliás, é preciso fazer essa distinção entre a figura do capitão e do líder. Há capitães que são autênticos líderes e há líderes que fogem da tarja oficial, mas influenciam decididamente no elenco e até na comissão técnica.

Foi, por exemplo, o que questionei ao jogador quando Leonardo, melindrado por ter sido preterido por Cafu, pelo técnico Luxemburgo, pediu dispensa de uma Copa América lá atrás. Afinal, qual a função do capitão num time de futebol? A rigor, apenas duas: tirara o toss antes do início da partida e receber as instruções do juiz dirigidas a toda a sua equipe. Já o líder, com faixa ou sem faixa, é o cara que influencia o grupo e por ele fala às instâncias superiores e até mesmo ao público em geral.

Lá no início de tudo, no raiar do século passado, o capitão era aquele sujeito sobre o qual não restava a menor dúvida, como diria a saudosa Aracy de Almeida. A tal ponto que ele também exercia funções de técnico do time e até mesmo de juiz em partidas da qual sua equipe não participasse. Eram os tempos de Rubens Salles, Lagreca, Amílcar Barbuhy, geralmente o centromédio, chamado de Eixo, por ser o ponto central da equipe, em torno do qual girava todo o jogo de seus companheiros. Para ele confluíam e partiam as jogadas iniciais do time.

Era um líder, dentro e fora do campo. Liderança carimbada com a faixa de capitão.

Com o advento do profissionalismo e as mudanças de sistema de jogo, a faixa passou a ser entregue ao mais velho, supostamente o mais sábio do elenco. Isso, porém, não impedia que outras lideranças se manifestassem além da exercida pelo capitão. Zizinho, por exemplo, mandava no time, assim como o faria seu conterrâneo Gérson, décadas mais tarde, sem que jamais fossem oficialmente os capitães.

Em 58, porém, surge uma nova figura de capitão, com Bellini e seu gesto pioneiro de erguer a taça no pódium: a do herói apolíneo, belo como um deus grego, branco, aloirado e de expressão guerreira no rosto e nos pés destemidos. Exatamente o oposto do brasileiro médio, mirrado, mulato e cheio de malícia. Uma dádiva, porém, para os fotógrafos que ganhavam espaços nobres nas revistas e jornais da época, no início da era da imagética que hoje domina todos os espaços da comunicação.

Mais do que o poder de liderança, embora Bellini fosse um líder, como o eram Didi, Gilmar e Nilton Santos naquela Seleção campeã do mundo pela primeira vez, o que passou a contar era a imagem pública do capitão. E assim foi com Mauro, em 62, com Carlos Alberto, em 70, e teria sido Raí, em 94, caso o meia mantivesse a titularidade na equipe. Quem ergueu a taça, então, foi Dunga, o verdadeiro líder da turma, antítese do modelo adotado até então, porém.

E a escolha de Luxemburgo pelo negro Cafu, o Cafu do Jardim Irene, de sorriso permanente e pouca fala, no lugar do loiro e bem falante Leonardo, quebrou de vez o protocolo vigente. Se a memória não me falha, Cafu foi o primeiro negro a ostentar durante anos a faixa de capitão da Seleção Brasileira, habitualmente, composta de mais negros e mulatos do que de brancos.

Assim como a escolha por Neymar, agora, muda totalmente de sentido o critério. Embora seja o mais famoso jogador brasileiro no mundo, atualmente, a unção se deu muito mais, acredito, como um recurso interno, digamos, psicológico. Justamente pela imagem equivocada de moleque maluquete, que troca de penteado todos os dias, que usa piercings, brincos e pulseiras, que vive rindo à toa, quiseram conferir uma dose extra de responsabilidade no principal e mais polêmico jogador do time.

Bobagem, porque Neymar não precisa disso. Aliás, é um moço mais centrado, de fato, do que a vão filosofia dos seus comandantes imaginam. Mas, vem a calhar. Premia-se, talvez pela primeira vez na história moderna, com o título de capitão o principal craque da equipe. Um cara que não se deixa deprimir nos momentos cruciais do time, que irradia felicidade e que nos dá prazer em ver jogar.

O título é apenas honorífico, e a liderança do grupo fica por conta de quem naturalmente tem o dom para essas coisas. E sempre há, com faixa ou sem faixa.

 

 

 

 

2 comentários

  1. NA MOSCA,MESTRE HELENA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!NA COPA,QUEM VOCES ACHAM QUE FOI O CAPITAO DA ARGENTINA.MESSI O MASCHERANO???????????????EU SOU ARGENTINO E FALO COM ABSOLUTA CERTECA:JAVIER MASCHERANO!!!!!!!!!!!!!!!!!E,FOI E VAI SER SEMPRE QUE JOGAR NA SELECAO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!TODO MUNDO PENSA QUE E MUDO,MAS OLHEM OS JOGOS E VEJAM QUE FALA MAIS QUE PAPAGAIO!!!!!!!!!!!!!!!!!O BRASIL TINHA UM MONTE DE CACIQUES:MARCELO,JULIO CESAR.FRED,DANI ALVES,DAVID LUIS,NAO POR JOGAR BEM(CARLOS ALBERTO ESTA LEONGE DE SER O GRANDE CRAQUE QUE MUITOS PENSAM)SENAO PELA LIDERANCA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!E ESCOLHERAM UM INDIO PRA A FUNCAO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!A IMAGEM DELE CHORANDO SEM OLHAR OS PENALTIES FOI PATETICA.E NEM FALAR DO CACIQUE MOR,SEU FELIPAO,NOS PENALTIES E NO JOGO CONTRA ALEMANHA,OLHANDO O NADA,MAIS MUDO QUE OSTRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!O QUE SE VIU FOI O SEU PAULINHO QUE PERDEU A POSICAO(COM TODA JUSTICA)ANIMANDO E ARENGANDO OS MENINOS QUE CHUTARIAM AS PENALIDADES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!ISTO E LIDERANCA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Alberto,
    Depois do 7 x 1 o Thiago Silva tem que dar graças pela convocação.
    Eu, particularmente, nem o convocaria mais. Afinal é zagueiro e o Brasil já foi campeão com Brito, Marcio Santos, Lucio e outros brucutus, e, deixou de ser campeão com Luiz Pereira, Luizinho o próprio Thiago Silva e outros zagueiros mais “refinados”. Importante são meio campistas e atacantes como Neymar, Lucas, Talisca e outros.
    Grande abraço.

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