
Tudo bem: a Turquia é uma seleção frágil, desajustada e que vem de crista baixa na campanha por uma vaga na Eurocopa. Mas, o futebol turco, há anos, vem se mantendo numa faixa intermediária entre os europeus. E o Brasil, num campo lotado e frenético, em Istambul, no Constantinopla, meteu 4 a 0, com direito a mais umas três chances claras para ampliar.
Dois deles de Neymar, que vai quebrando recordes com a camisa canarinho. Basta dizer que está a um gol para alcançar a marca de Rivellino e Jairzinho, o Furacão da Copa, dois extraordinários craques brasileiros que já cumpriram suas longas e gloriosas carreiras na Seleção enquanto o garoto de São Vicente está apenas dando os primeiros passos.
Os outros foram de Kaya, contra, em cruzamento de Danilo, e de William, em assistência de Neymar, depois de bela trama com Oscar.
E olhe que jogo já decidido, goleada emplacada, o Brasil continuou buscando o quinto tento até o apito final. Isso, graças à leveza e à vocação ofensiva da maioria dos seus jogadores do meio campo pra frente. Todos velozes, insinuantes, hábeis, atributos que lhes permitiu manter o mesmo tom o tempo inteiro, apesar da falta de entrosamento natural. É que, se o cara se entender bem com a bola, ela acaba fazendo com que todos se entendam, mais cedo ou mais tarde.
E o mais estimulante nisso tudo foi ver o Brasil encerrar o jogo com apenas um volante de ofício, Casemiro, autor, aliás, de dois belos lançamentos no breve período em que esteve em campo. De resto, era um bando de ágeis e talentosos meias e avantes, sem posições fixas, como manda o figurino da moda (e de sempre, diga-se).
Nenhum dos estreantes, por exemplo, destoou. Talvez, esperasse um pouco mais de Firmino, mas nada comprometedor.
Luiz Adriano, que teve a chance de jogar mais do que os outros, como se esperava, integrou-se rapidamente ao time, com excelente movimentação, capacidade de segurar a bola lá na frente, combinando com seus próximos, e só não fez o seu porque o zagueiro Kaya antecipou-se ao cruzamento de Danilo e meteu para as próprias redes bola que vinha de jeito para nosso centroavante.
Resta agora ver como se sairá Iaiá Talisca contra a Áustria, o único dos novatos não aproveitado contra a Turquia.
Quanto ao técnico Dunga, vale dizer que segue a boa trilha até agora, e está colhendo os frutos com os resultados reveladores: há muito tempo não tínhamos um time tão ofensivo e, ao mesmo tempo, tão indevassável na defesa – catorze gols marcados e nenhum levado em cinco amistosos, se não me falha a matemática.
Tá de bom tamanho. Ou não?
Vou aguardar a copa América para formar um juízo. Quebrar recordes em amistosos contra ninguém caça-niqueis são tão inúteis, tão inúteis, que até o mais apaixonado os desprezam. Menos Helena é mais quando se trata de seleção. Porque senão, gol da Alemanha a