Verdão e o espetáculo do futuro

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press

No papo com o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, no Mesa Redonda do Flavinho Prado, domingo, surgiu-me uma ideia cuja semente deve estar germinando na cabeça do cartola.

Já que Paulo Nobre está inovando nessa linha de produtividade para estabelecer as relações contratuais entre o clube, seus jogadores e técnico, por que não estender esse conceito com vistas à melhora do espetáculo?

Explico: até agora, os incentivos dados a jogadores e técnico é o velho bicho, com outra roupagem, claro, pelos resultados obtidos. Resultados que se traduzem em vitória, empate ou derrota, não importa a forma como eles se produzam em campo. Joga-se mal na vitória e o prêmio vem; joga-se bem na derrota, ciao e bença.

O que se vê, então, no futebol brasileiro nos últimos anos é um jogo chato, defensivo, cheio de passes errados e muitas faltinhas, tudo isso fruto da síndrome do contragolpe. Ninguém quer perder e pouquíssimos jogam mesmo, de fato, pra vencer.

O espetáculo empobrece, empobrecendo os clubes ainda mais, pois um espetáculo pobre não atrai patrocinadores, muito menos estimula a competição pelos direitos de transmissão pela tv, a maior fonte de receita dos clubes.

Claro que esses calendários estúpidos impostos pelas federações estaduais e pela CBF contribuem decisivamente para esse estado de coisas.

Os técnicos não dispõem de tempo mínimo para preparar seus times e ficam se equilibrando na corda bamba do resultado – se ganham, maravilha!; se perdem, rua!

E assim vai se ampliando o círculo vicioso onde, no fim, todos perdem, sobretudo o torcedor (leia-se consumidor).

Então, por que não tentar quebrar esse círculo de desencanto, abrindo uma nova vertente na concepção do prêmio a ser oferecido pelo clube aos seus atletas e treinadores? Como?

Simples: além do bicho por vitória, um extra por gols marcados pela equipe (não especificamente para o artilheiro), além dos proverbiais dois ou três. Isso estimularia técnicos e jogadores a buscarem o gol do início ao fim, conferindo, pelo menos, mais emoção às partidas. E, mais: bicho também em caso de empate ou até mesmo derrota, se o time, na avaliação da maioria dos observadores, jogou um futebol vistoso, agradável de se ver, sempre em busca dos gols que não se concretizaram por vários fatores aleatórios.

Mas, antes de tudo, é preciso que o cartola escolha o técnico com o perfil exato daquilo que deseja, e ofereça-lhe a garantia de que poderá desenvolver seu trabalho do começo ao fim de um contrato longo o suficiente para que dê os frutos necessários.

No caso do Palmeiras, especificamente, há dois fatores interligados na sua gloriosa história: um palco novinho em folha, o Alianza Parque, e a marca que por si só remete à ideia de excelência no seu estilo de jogo: Academia.

Quem sabe, né, passada a turbulência de hoje, o Verdão volte a ser pioneiro como foi no passado, visualizando um futuro que já devia ser o presente para todos os outros clubes brasileiro?

4 comentários

  1. Concordo plenamente Alberto Helena, quem sabe isso realmente se torne realidade, o Verdão já deu o ponta pé inicial, vamos torcer pra que as coisas mudem no Verdão definitivamente!!!

  2. O probleminha com essa boa ideia é: de onde viria tanto dinheiro assim, sendo que os clubes deverão pagar até em derrotas?
    Digo o dinheiro inicial, pq depois que engrena e o negócio pega td muito quer copiar e as empresas querem apostar.

    Abs.

  3. Que maravilha seria Helena poder ter um futebol assim como você sugere pena que olhando para as atitudes dos nossos cartolas hoje me parece mais um sonho do que uma possível realidade mas torcemos que o palmeiras possa voltar a ser a academia de tantas glorias.

Deixe um comentário para Silvio Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *