Marcelo e Levir, eles merecem

Montagem sobre fotos de Bruno Cantini/CAM e Gualter Naves / Light Press
Montagem sobre fotos de Gualter Naves/Light Press e Bruno Cantini/CAM

Em meio a tantas críticas que faço ao atraso do futebol brasileiro, em todas as esferas, inclusive no campo de jogo, jamais poupei elogios a esses dois treinadores que se digladiarão na final da Copa do Brasil: Marcelo Oliveira e Levir Culpi.

Não, não estão na categoria dos grandes inventores ou revolucionários do nosso futebol, se é que isso existe. São simplesmente dois sujeitos de bem com a vida, civilizados, inteligentes, que gostam de montar seus times baseados mais na técnica do que na força de seus jogadores. Isso, naturalmente, resulta num jogo ofensivo, agradável de ser visto por quem gosta desse fascinante joguinho da bola.

Marcelo, como bom mineiro, é mais discreto do que Levir, um sujeito que encara a vida com bem-humorada perplexidade, o que lhe permite sacar tiradas divertidas até mesmo na desgraça.

Marcelo foi um craque com a bola nos pés. Meia do grande Galo de Cerezo, Rei-Reinaldo e cia. bela, na virada dos 70 para os 80, soube esperar na sombra da discrição e da observação o tempo certo para aflorar como técnico. Primeiro, num Coritiba espantoso pelos resultados em série que obteve há três anos, por aí. E, agora, no Cruzeiro, campeão brasileiro, líder atual e prestes a conquistar a tríplice coroa, jogando uma bola redondinha, com o mais implacável ataque do Brasil em toda a temporada.

Desembarcou na Toca da Raposa pra dirigir um time que era exatamente a antítese do Cruzeiro técnico e envolvente dos bons tempos de Tostão a Alex. Sem craques de renome e jogando um futebol opaco, retrancado mesmo, o Cruzeiro parecia ter perdido de vez sua identidade. Pois, Marcelo resgatou, de súbito, esse traço histórico dos azuis., com um grupo de jogadores formado por uma maioria que não havia se destacado nos clubes por que passaram anteriormente. Bons jogadores, é verdade, com exceção de Everton Ribeiro, que ele trouxe do Coritiba, um craque, um meia armador raro num futebol que os extingue sistematicamente há anos.

Ganhou o Mineirão, ganhou o Brasileirão onde caminha para o bi. E nem por isso, Marcelo perdeu a linha. É de se tirar o chapéu.

Levir, um beque de destaque no Paraná, de boa técnica, mas sem nomeada nacional, embora tenha defendido o Botafogo por uma temporada, na década de 70. Ao pendurar as chuteiras, depois de quinze anos de carreira, fez sua história como treinador desde lá de baixo, até chegar às portas da Seleção em 2000. Rodou mundo até pegar novamente o Atlético numa situação delicada. Afinal, o Galo havia atingido na temporada anterior o cume de sua história com a conquista da Libertadores, e havia despencado no Mundial com a derrota para o Raja.

Ronaldinho Gaúcho, o maior ídolo do clube desde os tempos de Reinaldo, encerrava seu ciclo e o Galo carecia de uma reformulação, não tão profunda, mas na linha da sintonia fina, o que é mais complicado, diga-se. Pois, Levir acertou o ponto exato da frequência e o Galo ascendeu no Brasileirão até o limiar de uma vaga para a Libertadores e, agora, a dois passos de ganhar a Copa do Brasil, torneio em que bateu na trave por várias vezes com outros clubes no passado.

Quem vai levantar a taça nem os deuses da bola se atrevem a prever, que eles não são doidos de se meter nessa encrenca, quando se trata do clássico mineiro.

Só sei que estará em boas mãos, qualquer que seja o resultado final.

 

 

 

3 comentários

  1. O Cruzeiro só ganhou a vaga na Vila Belmiro por duas razões : os dois melhores jogadores do Santos saíram por contusão : Robinho e Alisson e falta de jogadores no banco, fato este que o Cruzeiro tem de sobra.

  2. Há alguns anos dois jogadores do futebol brasileiro disseram algo parecido como”futebol é algo muito simples e não precisa ser complicado”,frase óbvia,de extrema simplicidade e
    até com exagerada ingenuidade! Será!? O fato é que um desses jogadores era um tal de
    Pelé e o outro um tal de Tostão! Não me parece que tanto Cruzeiro como Atlético tenham
    seus elencos povoados de craques e os respectivos técnicos raramente esperneiam na
    área técnica do campo,criticam arbitragens,culpam calendários e brigam com a imprensa.
    É inadmissível e até falta de respeito com o torcedor ouvir com freqüência “não encaixamos um bom jogo”,frase esta dita por técnicos que ganham mais de 500 salários
    mínimos mensais,e mesmo após seu time ter descansado uma semana entre dois jogos
    ou um bom periodo de férias durante a última Copa.
    O futebol é um esporte coletivo onde as individualidades dos integrantes do grupo necessitam ser respeitadas,sejam jogadores,comissão técnica e direção,mas o objetivo deve estar bem definido e aceito por todos,pois assim fica mais fácil remarem e rumarem
    para o mesmo lado.
    Como disse Dona Lucinha,proprietária de uma famosa cadeia de restaurantes especializada na cozinha mineira,”muito obrigado aos Bandeirantes de São Paulo pela comida mineira que nos deram”,e nós como paulistas retribuímos aos mineiros dizendo,
    “muito obrigado por estarem reconstruindo a cara do futebol brasileiro”.

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