
O amigo certamente conhece aquela anedota do bode na sala, em que gente demais numa sala apertada começa a reclamar do bodum geral. O dono, então, coloca um bode na sala. A coisa, então, fica absolutamente insuportável. Aí, o dono da casa, retira o bode, e é aquele alívio – fim das reclamações.
Foi mais ou menos isso o que aconteceu com o São Paulo em Huachipato, na heroica vitória por 3 a 2., que levou o Tricolor à frente na Sul-Americana.
O bode, no caso, foi a expulsão de Denílson, ainda no primeiro tempo. Até então, o São Paulo, sob o comando de Ganso, vencia por 2 a 1, com folga pela vitória no jogo do Morumbi – gols de Michel, em bela trama de Ganso e Pato, que Michel pegou o rebote do goleiro Gimenez, de Vilches, e de Ganso, num toque magistral no ângulo, na sequência de outra troca de passes exatas entre ele, Kardec e Pato, que, logo em seguida, sai, machucado, substituído por Osvaldo.
Só que um bode com efeito contrário. Em vez de aliviar o clima para o São Paulo, adensou-o, tornando-o quase irrespirável no segundo tempo, quando os chilenos, sem qualquer preocupação em se defender, na medida em que o Tricolor renunciou a qualquer ataque, partiu pra cima e só não virou o placar por absoluta falta de agudeza de sua linha de frente.
Espinoza manda na trave, Rogério se vira à frente de sua meta, e, apesar de já ter três zagueiros de ofício, Muricy troca Osvaldo, inútil, mas sempre uma expectativa de contragolpe veloz por mais um beque – o menino Lucão. E assim o Huachipato chega, finalmente ao empate, já aos 42 minutos da etapa final.
Nessas alturas, Boschillia havia entrado no lugar de Ganso, esfalfado, e coube a ele, na resposta, determinar a vitória por 3 a 2, confirmando a classificação tricolor para a próxima fase do torneio.
Podia ter sido mais amena essa noite. Mas, valeu.