Nem Messi, nem Neymar. Duas vezes Tardelli.

Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press
Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press
A coisa parecia que ia ficar feia, com a Argentina dona da bola, dos espaços e da ousadia desde o apito inicial. Ora, era Di Maria fazendo fila na defesa do Brasil; ora, Messi, com Aguero, lá na área, desperdiçando duas chances seguidas.

Quando o relógio bateu 27 minutos de jogo, a Argentina tinha 70 por cento de posse de bola e cinco finalizações à meta contra zero do Brasil. Pois, foi aí que o cenário mudou de forma e cor: Oscar levanta no segundo pau, justamente onde Fernandez e Zaballeta batem cabeça para Tardelli pegar de prima, sem-pulo, bate-pronto, como queira, de direita, no cantinho esquerdo de Romero. Um chute, um gol do Brasil. E que gol! – berraria o meu querido Osmar Santos.

E olhe que esse primeiro tempo poderia ter acabado com mais dois, de Neymar, em duas arrancadas prodigiosas que se perderam no toque final.

Bem, digamos, para sermos mais exatos: 3 a 1. Sim, porque acredite se quiser: o china apitou um pênalti meio assim, assim, em di Maria, que Messi cobrou para defesa espetacular de Jefferson, com dedo luxado e o diabo.

Na segunda etapa, então, esse placar virtual teria chegado a extremos, caso Filipe Luís, em bela trama de Tardelli e Neymar, na cara do gol não chutasse por cima. E se Neymar tivesse aproveitado, por baixo, mais duas chances claras. Numa delas, em passe exato de Luiz Gustavo, o craque tentou encobrir o goleiro, como costuma fazer de olhos fechados, e a bola subiu demais.

Contudo, se Neymar estava predestinado a não deixar o seu no Superclássico das Américas, os deuses apontaram mais uma vez seus dardos mágicos para Tardelli: aos 19 minutos, Oscar cobra escanteio que David Luiz desvia para Tardelli, de cabeça, ao pé do segundo pau, fazer 2 a 0.

Daí, até o final, o Brasil teve o controle da bola e do espírito do jogo, na mesma proporção em que Di Maria e Messi encolhiam.

Bela vitória do Brasil, porque diante do melhor de que dispõem hoje os vice-campeões do mundo. E, sobretudo, pela capacidade de reação do nosso time, que saiu de um primeiro tempo apavorante para um segundo de nítido domínio sobre o adversário.

Como? O craque do jogo? Nem Messi, nem Neymar. Tardelli é o nome, esse mesmo Tardelli que venho há muito tempo clamando por uma chance na Seleção. E olhe que isso foi só o início, o ponto de inflexão em que o craque tira de cima de si o peso de se sentir observado como uma cobaia na gaiola.

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