
A CBF, Mano, Felipão e o’scambau passaram os últimos quatro anos cortejando a torcida brasileira, dizendo que o mais importante era resgatar o amor pátrio por sua Seleção. E o que afastara o brasileiro de sua Seleção? Não só a distância física, pois desde que o calendário do nosso time ficou a cargo de uma empresa internacional, raramente vemos a canarinho em nossos campos.
Por exemplo: neste sábado, em meio ao momento mais crucial do Brasileirão, o amigo, se quiser ver sua Seleção em ação terá de acordar cedo, e vê-la enfrentando, além da arquirrival Argentina, um gramado inapropriado para um jogo dessa envergadura, lá do outro lado do mundo, na China.
E nem falo do desgaste desumano a que são submetidos nossos jogadores nessa empreitada que só interessa aos promotores do evento, a ninguém mais – clubes, jogadores, torcida, patrocinadores, tv e, sobretudo, a Seleção que vem do maior vexame de sua história.
Do ponto de vista emocional, afetivo, o que a torcida brasileira exige de seu time, há muito tempo? Um futebol vencedor, sim, mas convincente, bem jogado, com arte e engenho, de acordo com as nossas mais caras tradições.
Eis que ligo a tv e vejo um Dunga sempre raivoso, despejar sobre nossas esperanças a velha, gasta, tediosa cantilena de que só a imprensa quer a Seleção jogando bonito. Não vai jogar bonito, garante nosso técnico, ponto.
Vai jogar, segundo ele, dentro das normas vigentes: muita marcação e, quando tiver a bola, atacar.
Conceito tão arraigado em nosso futebol e na Seleção que até Neymar, o principal artista, o inventor de jogadas inesperadas e, ao mesmo tempo, o mais eficiente dos nossos jogadores, entra em cena e declara com um ar sisudo, solene, que ninguém espere show, espetáculo,essas coisas, do time nacional. Era o divertido, alegre e feliz garoto Neymar fantasiado de Dunga, o rancoroso.
Pelo visto, a praga pega.