
Há pouco tempo, uma bela, jovem e competente mineirinha, a Stella Gontijo, apresentadora do Jornal da Gazeta, falou bem destes meus escritos. Em seguida, foi a vez da encantadora Anita Paschkes, na esteira da deslumbrante Michelle Gianella, doces companheiras da programação esportiva da emissora.
Confesso que saí extasiado pelos corredores da Gazeta a passo de urubu malandro, feito marujo novato trazendo o balanço do mar para a terra na sua noite de folga, ao som de um samba orfeônico de Cartola, como dele dizia o maestro Leopoldo Stocowisk, entoado por um coro de anjos de ébano fugidos do Céu Moreno da inspiração de Uriel Lourival.
-Tô, que tô, meu!
Quando, de súbito, baixou-me uma sombra nostálgica. Lembrei, então, que, nesta mesma época, há quarenta anos, esta Bola Virtual começou a quicar nos campos da comunicação.
Quer dizer: não era virtual, pois essas modernidades não haviam sido criadas ainda. E as palavras que valiam eram as escritas e impressas em papel, porque as outras o vento levava.
Intitulava-se Bola de Papel e logo ganhou uma graciosa charge em forma de logotipo da minha querida Sandrinha Abdalla: uma maquininha de escrever risonha, embora levemente espantada, soltando bolinhas de papel ao leu.
Fez um sucesso danado na época, se me permitem a imodéstia. E o curioso é que a Bola de Papel não nasceu de uma promoção, um prêmio, mas, sim, do contrário.
Era, à época, chefe de reportagem e pauteiro de Esportes do falecido Jornal da Tarde, a maior revolução editorial e gráfica da imprensa brasileira desde a reforma do Jornal do Brasil, de Reinaldo Jardim, quando a vespa da intriga me colocou na parede: tinha de largar a chefia.
O diretor de redação, Murilo Felisberto, então, sabendo da injustiça, me ofereceu a função de repórter especial. Respondi que só aceitaria continuar no jornal se fosse pra ser colunista. Mas, no jornal, não havia colunas. E, pior: os editores das outras seções vetaram essa alternativa. Comunicado sobre a decisão, comecei a esvaziar minha mesa, quando o Antenor, sábio contínuo da redação, me chamou à sala da direção.
Fui, bufando, disposto a virar a mesa sobre o Murilinho, que me recebeu aos sorrisos ao lado do Luís Fernando Mercadante, redator premiado de Economia.
– Calma, Helena. O Mercadante aqui me fez a seguinte pergunta: “É bom pro jornal?” É. “É bom pro Helena?”. É. “Então…”
E completou o Murilinho:
– Então, você vai ter sua coluna de esportes. Mas, só de sacanagem, não será a primeira.
A primeira coluna do JT foi a de Telmo Martino, sobre amenidades; a segunda, a do saudoso Ênio Pesci, de Política; a terceira, esta Bola de Papel, que, nos últimos quarenta anos rolou por vários campos – Placar, Folha, Diário Popular que virou Diário de S. Paulo, IG, até cair nas graças da Stella, da Anita e da Michelle.
E a luz espantou a sombra nostálgica, que a vida segue quicando daqui pra lá, de lá pra cá como uma bola de papel virtual.
Grande Alberto,
Eu tenho o prazer de acompanhá-lo, como leitor, desde aquela época.
Vida longa e próspera como diria Dr. Spock.
Menino Helena, com o tempo é que gente aprende a valorizar o que interessa. Desde a época do JT acompanhando suas colunas e tiradas, só posso dizer que é um imenso prazer ler os seus escritos, que não se restringem ao futebol. Suas tiradas e senso de humor são necessários e insuperáveis de há muito. Ainda bem que você “aceitou” a modernidade e nos brinda “cotidiariamente” com seus belos textos e tiradas especiais. Longa vida ao “Bola”.
Boa noite Alberto Helena
Acompanho muito o seu blog e vi que em
Muitos comentarios você mensiona o Murilo Felisberto. Sou sobrinho dele
Grande abraço
Retificando o e mail caso voce responda
Abs
Murilinho foi um grande e querido amigo. E o melhor jornalista que conheci, além de um grande diretor de redação.
abraços. Orgulhe-se.