Pra que Souza?

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

Souza, do São Paulo, foi escolhido por Dunga para substituir Ramires, machucado, na Seleção que irá fazer dois amistosos daqui a pouco,  com Argentina e Japão. Nem vou entrar no mérito da questão, se Souza merece ou não essa chamada. Se há outros na posição melhores do que ele e tal e cousa e lousa e maripousa.

Trata-se de um bom jogador, de muita vitalidade, com técnica apreciável, que atravessa fase propícia, embora seu companheiro de setor, Denílson, esteja em melhor forma, neste exato momento.

Acho apenas que Dunga, ao mesmo tempo em que ratifica uma convicção inabalável, do ponto de vista tático, perde a chance de abrir espaço para outras alternativas, o que seria mais inteligente nesta fase de preparação e testes da Seleção.

Explico: a convocação do volante Souza para o lugar do volante Ramires, num elenco em que já há outros três jogadores da mesma posição, enfatiza a cadeia em que se meteram os treinadores brasileiros, cercada pelas grades irremovíveis dos tais dois volantes de ofício. Nem passa pela cabeça de Dunga e da imensa maioria dos nossos técnicos que há vida inteligente lá fora. Que você possa armar seu time com apenas um volante típico; ou, até, nenhum.

Essa foi a maior lição que a Alemanha nos transmitiu na Copa do Mundo e que raros foram os que a aprenderam. Incluo aqui a mídia, diga-se, pois é voz corrente que levamos aquela biaba histórica porque Felipão ousou escalar um time ofensivo, com Bernard e cia., quando deveria ter ter a humildade de fechar a casinha, botar tranca e correntes na porta porque, ah, meu Deus!, os boches vêm aí em blitz incontrolável.

Eles vinham mesmo, sem peias, com meias. Sim, porque naquele time não havia nenhum volante por estilo, vocação ou prática. Eram três meias e três atacantes e tudo o que há de mais moderno e eterno. E, Felipão, naquele meio-termo – vou não vou, e acabou indo pro brejo com todos os seus volantes e espertezas furadas.

Mas, quando se trata de religião, crença inabalável, não adianta insistir. E essa praga dos dois volantes é dogma no Brasil. Só uma profunda revolução cultural poderia erradicá-lo da alma dos nossos treinadores e comunicadores, incultos na sua imensa maioria e escravos das superstições da hora. por eles transformadas em verdades científicas.

Mas, tudo bem. Você já tem no seu elenco, para dois joguinhos caça-níqueis volantes suficientes para até escalar os três de uma só vez, se achar conveniente. E ainda por cima, conta com dois zagueiros que cumprem bem essa função, como David Luís e Marquinhos. Pra que diabos você precisa de mais um?

Sobretudo, se o seu meio de campo carece de um armador capaz de quebrar a rotina com um passe inesperado, uma jogada surpreendente, algo , enfim, que não faça parte do repertório repetitivo dessa volantada toda?

É isso mesmo o que o amigo está pensando. Por que não chamar Ganso, por exemplo, que vem num crescendo, embora ainda não tinha atingido toda a sua potencialidade?

E, se você não quiser dar o braço a torcer, por causa daquela exigência da mídia e da opinião pública em 2010 para que chamasse Neymar e Ganso para a Copa do Mundo, então, que fosse outro dessa posição tão carente. Quem? Sei lá: que tal esse canhotinho que está esmerilhando no Santos, Lucas Lima?

O importante não é o nome, mas o estilo. No fundo, no fundo, o importante para um técnico de futebol, como para qualquer um de nós diante da vida, é manter a mente aberta e ampliar seu leque de opções.

 

 

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