
Veja só como Valdívia, para o bem ou para o mal, é peça fundamental para o Verdão, que se debate lá no fundo do poço, botar a cabeça pra fora e respirar ares mais compatíveis com sua história: quando o Vitória, perdendo por 1 a 0, insinuou uma pressão sobre o Palmeiras, Valdívia mete aquela bola reta, certeira para Cristaldo servir Bernardo que deixou Henrique na cara do gol – 2 a 0, numa linha de passe que o Verdão não produzia, sei lá, desde os tempos de Riivaldo, Djalminha, essa turma.
A vitória sobre os baianos não bastou para tirar o Palmeiras da zona da morte. Mas, pelo menos, largou a lanterna. E mais do que isso: serviu para resgatar um tiquinho de moral para o time sair dessa enrascada mais à frente.

Que jogo é esse?
“Que jogo é esse?” – exclamou o Milton Leite, o melhor narrador de futebol da tv brasileira, a certa altura de Galo e Peixe.
E me permite, meu caro Milton, esse é um jogo de futebol. Sei bem que você como eu e o resto dos torcedores desse Brasil afora, já nos desacostumamos com esse jogo. O que vemos habitualmente é uma outra coisa, diria que uma quimera formada por partes de vários bichos mitológicos e sem cérebro.
O jogo no Independência foi tão emocionante e belo que o placar de 3 a 2 para o Galo foi modesto demais. O ideal, pelas chances criadas de lado a lado, seria algo como 8 a 4.
No primeiro tempo, o Galo deitou e rolou, fez 2 a 0 e ampliou logo no início do segundo, com uma exibição de gala de Tardelli, que parece jogar de patins, tal a leveza com que desliza pelo campo.
Mas, depois do terceiro, embora o Atlético seguisse criando chances e desperdiçando-as, sobretudo com o menino bom de bola, Carlos, o Peixe foi outro.
Sem Robinho, machucado, que vinha bem, diga-se, e Leandro Damião, que havia metido uma bicicleta na trave, o Peixe voltou a lembrar os bons tempos do início da temporada, com as entradas de Giuvânio e Gabigol.
Ganhou asas, e, num toma-lá-dá-cá vertiginoso, reduziu para 3 a 2 e quase chega ao empate.
E assim, mesmo na derrota, reencontra seu melhor jeito de jogar, enquanto o Galo invade pela primeira vez o Grupo dos Quatro, com garbo, estilo e pinta de quem quer ficar.
Concordo que o Milton Leite, o melhor narrador de futebol da tv brasileira, pena que a rede globo não entenda desse modo e tenhamos que suportar o Galão que só fala besteira