
Nesta quarta, mais um capítulo de A Caça à Raposa, melodrama encenado pelo líder Cruzeiro e seu mais fiel perseguidor, o São Paulo. Não perca! Mesmo porque a novela se desenrolará em dois episódios sequenciais: às 19h30, o Cruzeiro recebe o Atlético PR no Mineirão; e às 22 horas globais, o Tricolor enfrenta o Coxa, lá em Curitiba.
Ao contrário das telenovelas, quando já se sabe desde o primeiro capítulo qual será o desfecho, neste teatro sobre a grama, o imprevisível impera.
Por exemplo: se fosse um jogo de cena na TV, o autor, evidentemente, faria a Raposa tropeçar nas próprias pernas e o São Paulo ganhar, diminuindo a distância entre a caça e o caçador e aumentando a expectativa para os próximos capítulos.
Mas, no jogo da bola, a conversa é outro, meu. Aqui, entra um personagem invisível, um fantasma da ópera, que atende pelo nome de Acaso, capaz de fazer coisas que até Deus duvida.
À luz da razão, porém, o roteiro é claro: a Raposa tem mais chance de aumentar a distância para o Tricolor, do que o inverso.
Explico: o Cruzeiro joga em casa, onde tem sido praticamente imbatível contra um Furacão de sopro ameno nesta temporada. Além do mais, está inteiro, sem desfalques aparentes. Na verdade, até mesmo com o reforço do lateral-esquerdo Egídio, que tem sido um jogador precioso no esquema ofensivo de Marcelo Oliveira, sujeito capaz de controlar bem os nervos da moçada numa hora como esta.
Já o São Paulo terá um desfalque. E que desfalque! Simplesmente, Kaká. Não aquele Kaká melhor do mundo, craque que desequilibrava com suas arrancadas delirantes. Mas, sim, um outro Kaká. Diria mesmo que o anti-Kaká, o individualista. No lugar daquele, o Kaká participativo, solidário, que circula pelo campo todo tecendo a teia que atrai e aproxima os talentos de Ganso, Pato e a dedicação de Kardec, a pedra de toque capaz de mudar a cara do time.
Como será o São Paulo sem esse Kaká?
Em seu lugar, entra Michel Bastos, um lateral-esquerdo de origem, que já rodou pelo campo e pelo mundo, capaz de física e tecnicamente suprir em parte essas necessidades do time. Mas, terá ciência para tanto?
E, para agravar a situação, Rogério Ceni é dúvida. Mas, neste caso, há Denis, que sempre respondeu bem às eventuais e raras chamadas do time de Rogério Ceni.
No que vai dar tudo isso, nem aquele personagem invisível que atende pelo nome de Acaso pode responder. Entre outras coisas, porque ele, por sua própria natureza, não sabe o que faz.