Dunga e o drama dos laterais

Foto: Mowa Press
Foto: Mowa Press

Mário Fernandes, do CSKA Moscou, e Dodô, da Inter de Milão, são as únicas surpresas na lista de Dunga para os amistosos com Argentina e Japão.

Sobre Mário Fernandes, que teve um início promissor aqui há uns três anos, inclusive, chegou a renunciar a uma convocação para a Seleção, e andou às voltas com problemas íntimos, pouco posso dizer. Não tenho visto suas apresentações pelo CSKA; portanto, prefiro esperar pra opinar.

Quanto a Dodô, que, se não estou enganando, começou na base do Corinthians, está jogando bem na Inter, como um lateral-esquerdo muito agressivo e razoável na marcação.

De qualquer forma, é evidente que Dunga busca dois laterais (ou, quatro, titulares e reservas), posição que tem sido um calcanhar de Aquiles de nosso futebol. Basta lembrar o longo reinado de Cafu, pela direita, e Roberto Carlos, pela esquerda.

E por que essa carência na maior usina de jogadores de futebol do mundo? Aquela que, num passado mais distante, produziu os melhores da história em todo o planeta – os dois Santos (Djalma, na direita, e Newton, na esquerda) e o capitão do Tri, Carlos Alberto Torres.

E o amigo pode, de quebra, inscrever nesse ilustre rol os nomes de Júnior e de Leandro.

Desconfio que a raiz do problema está nas mudanças de esquema adotados pelo futebol brasileiro nos últimos quinze anos, por baixo.

Em primeiro lugar, quando se começou a exigir que os laterais namorassem a girafa, como dizia o João Sem Medo: era um tal de ir e vir, sem parar, que ninguém dava conta. Quando chegava na hora do cruzamento, que era o principal, cadê perna e equilíbrio?

Mesmo porque com a concentração de volantes no meio de campo, a única alternativa de sair da defesa para o ataque, além dos chutões, passou a ser pelas laterais do campo. Na ausência dos antigos pontas, só restava acionar os laterais.

Em seguida, veio a praga dos três zagueiros, com o advento sequencial do tal ala, o lateral que, na verdade, fazia as funções de um ponta recuado. Resultado: nem tinha a habilidade dos antigos pontas, nem a firmeza dos autênticos laterais. Pior ainda: para suprir a deficiência defensiva dos alas, os atacantes passaram a ter de marcar os laterais adversários, aumentando ainda mais o nível defensivo das equipes e capando a criação e a artilharia.

Perderam-se gerações nessa brincadeira macabra.

Assim como, se nosso futebol – clubes e Seleção – não mudar o braço da viola, a atual geração e a seguinte estarão igualmente ameaçadas.

E o que significa mudar o braço da viola? É voltar a concentrar no meio de campo o centro das ações de criação de um time de futebol, com o concomitante avanço da linha de zagueiros, reduzindo o campo de ação do lateral, o que lhe permitirá mais precisão nos passes e nos cruzamentos e velocidade nas arrancadas, quando estas se façam necessárias, posto que estará menos estafados. Para tanto, é preciso também abrir espaço para os meias hábeis e inteligentes, em meio a essa legião de volantes defensivos.

Mas, vá enfiar isso na cabeça dessa turma.

Um comentário

  1. Caro colega contemporâneo do saudoso Ginásio Luciano Maia. Perfeito e muito interessante suas observações a respeito dos laterais, apenas ressalto a omissão quanto ao Wladimir, como também quanto ao DeSordi. O Dunga não deve estar acompanhando o Brasileirão. Atualmente o melhor volante é o Souza do São Paulo, aliás, com todo respeito, melhor até mesmo que todos os demais volantes convocados. Deve estar de brincadeira ao convocar o Elias que não está jogando absolutamente NADA no Corinthians, comprometendo até mesmo as atuações de seu parceiro Ralf, Se a convocação é momento…abçs.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *