
De um dia pro outro, a pena que era de 180 dias de suspensão para Petros caiu para três jogos. As duas decisões, diga-se, tomadas pelo mesmo tribunal, o STJD. Ah, mas este foi o pleno, dirá o bacharel de plantão.. E o anterior, era vazio?
Na cabeça de um mortal qualquer, até se entende que estes juízes sejam mais ou menos complacentes do que aqueles, e que, movidos por um rasgo de indulgência, resolvam diminuir a pena do rapaz. Vá lá: corte-se pela metade e fiquemos com 90 dias.
Mas, tão drástica diferença numa mesma corte de justiça?
Sim, porque naqueles todos escaninhos, vertentes, desvios e sombras das nossas legislações em geral, sempre haverá um caminho para a volta ao marco zero, que ninguém e de ferro, meu.
Isso vem desde a colonização desta Terra de Vera Cruz, em que se plantando tudo dá. Vera cruz foi o que eles plantaram para as gerações futuras carregarem…
Honestamente, não sei qual a pena mais adequada para Petros. Por mim, dava-lhe um coque na cabeça e mandava entrar em campo. Mas, isso não tem base jurídica e eu correria o risco de ir parar nas barras do tribunal como réu numa ação de agressão, danos físicos e morais, coisa do tipo, sei lá.
Então, o que diz a lei? A lei diz que pode ser assim ou assado. Mas, se o assado for assim, como ficamos. Juntemos o assim no assado e a decisão fica por conta do juiz togado, cuja cabeça, num ditado bem brasileiro, é como bumbum de nenê – nunca se sabe o que vai sair dali.
Tudo isso sob o invólucro de cordiais e dissimuladas civilidades.
Quer ver? Quando um advogado quer chamar o outro de ignorante a respeito de um tema, o introito é sempre:
– O nobre colega sabe melhor do que eu que o artigo tal e tal diz isto e não aquilo…
E por aí vai.
Não, não sou contra um tantinho de linguagem protocolar, respeitosa, entre as pessoas. Mas é que há muito protocolo e pouco vamovê nas nossas relações jurídicas.
Como brasileiro, sou autêntico amante da Seleção, do samba, da mulata, da birita, da feijoada, do futebol, de jogar conversa fora no botequim da esquina e de todos os demais clichês verde-amarelos. Sou fumante inveterado, odeio usar cinto de segurança, incomoda-me o tal de politicamente correto quando vira algo solene, quase religioso, mas tento sempre andar na linha, que fazer?
Nesse caso da justiça esportiva, porém, prefiro que me chamem de Sir. Sou anglicano da cabeça aos pés: fora com esses tribunais, e, em seu lugar, uma comissão disciplinar baseada num código de penas capaz de listar todas as situações do jogo e de extra-campo, que não são nem tantas assim, e suas respectivas penas. E fim de papo. Cumpra-se o que está escrito, como manda nossa mais antiga e justa instituição, embora ilegal – o jogo do bicho.
O STJD puniu o Petros com 180 dias, depois queria punir o Guerreiro, depois punir o Corinthians pelo registro irregular do Petros, de reperente, inexplicavelmente, dá a impressão que queria algo e parece que conseguiu, “Não sei o que”. Resolveu que o Guerreiro não fez nada, que o Petros(que claramente desviou de sua trajetória para acertar o árbitro), trombou sem querer, coitado, e no caso do registro irregular do Petros então nem tocam mais no assunto, “o que será que aconteceu para a pizzaria, quero dizer o STJD ficar tão bonzinho com o Corínthians?
Que beleza de texto! Engraçado, envolvente e verdadeiro. As burocracias da nossa terra também me dão nos nervos… chamo-as de “burrocracia”. Se eu começasse a mencioná-las, não ia parar tão cedo, deixo para você que tem muito mais talento nos textos… esse aliás vai para os favoritos.
Liberaram geral. Está valendo, a partir do Petros, trombar ( inclusive com o uso do cotovelo), nas costas (de forma bem covarde), dos árbitros brasileiros. Basta mirar a vitima e ficar fingindo olhar para a bola. Porrada neles, é o recado do STJD. Se ficar muito evidente, leva aí uns 3 jogos….E, nas declarações, basta soltar um ” eu se trombei pq ele estava mal colocado”, e fim. Estamos regredindo….
Isso aí Helena Jr! Vale o que tá escrito!!! Texto pontual!!!
Ótimo texto Sr. Alberto!! parabéns obrigado pela lembrança.. em relação ao Muricy o que mais me chocou em nesse lance que o senhor comentou foi a expressão facial dele.. de total indiferença quanto ao passe genial que tinha feito, realmente deve ter sido mesmo um colossos.