
Velho incomoda, não é mesmo? Mas, velho com memória incomoda muito mais.
Como minha memória só tem lapsos ocasionais quando vou à cozinha pegar um copo e trago para a sala uma tigela, lembro vivamente de que o meu querido Carlos Miguel Aidar foi quem inventou o Coronel Juju, o ex-presidente do São Paulo que causou o maior estrago na história do clube.
Sim, porque Carlos Miguel, filho de Henry Aidar, o presidente pós-construção do Morumbi que recuperou o ar de grandeza do time tricolor, quando eleito, na sucessão de Toninho Galvão, escalou Juvenal Juvêncio como diretor de futebol. E, ao cabo de sua própria gestão, Carlos Miguel lançou Juvenal como sucessor.
E qual foi a obra de Juvenal no seu breve primeiro período à presidência, nos anos 80? Vendeu todo aquele ataque fabuloso dos Menudos – Muller, Silas, Careca, Pita e Sidney – para o exterior. E o que fez com a fortuna arrecadada? Diz que aplicou tduo na construção daquele jardim em torno do campo do Morumbi, aquele, com o distintivo tricolor onde Pato outro dia foi prestar suas devoções. O jardim mais caro do mundo, depois de Versalhes.
Juvenal voltou à presidência do São Paulo, há uns oito anos, quando rompeu com a mais grata tradição do clube, aquela que lhe dava a graça do mais democrático e bem administrado clube dentre os grandes do Brasil: a regra de ouro segundo a qual nenhum presidente teria mais de dois anos de mandato, com direito a apenas uma reeleição.
Pois, em nome de uma pretensa remodelação do Morumbi para a Copa do Mundo de 2014, alterou os estatutos para eternizar-se no poder. Não só, por falta de tato político, tirou o Morumbi da Copa, como conseguiu perder todos os clientes habituais, como o Corinthians e o Palmeiras, que nunca mais jogaram no estádio tricolor, provocando severa queda na receita do clube.
Isso, sem falar nos arroubos imperiais no contato até mesmo com conselheiros que discordavam de seus desmandos e naqueles discursos empolados, patéticos com que despertava o riso de uma claque de repórteres desinformados e incapazes de separar o engraçado do trágico.
Nos seus primeiros anos de mandato, usufruiu da herança deixada pelo ex-presidente Marcelo Portugal Gouveia, festejando uma vitória no Brasileirão e uma Copa do Mundo. Em seguida, anunciando ao mundo que seria o novo Laudo Natel, presidente dos tempos da construção do Morumbi, passou a gastar a rodo, montando times de segunda categoria, a preços exorbitantes, e demitindo e contratando técnicos, uns atrás de outros, na contramão da história tricolor.
Resultado disso tudo está na entrevista bombástica de Carlos Miguel Aidar à Folha, quando afirma que herdou uma dívida de 130 milhões de reais (algo inédito no São Paulo desde a compra do edifício Trocadero que resultou na extinção do primeiro São Paulo, então chamado de São Paulo da Floresta, em 1935).
E mais: teve de vender vinte carros que, com motoristas, serviam aos diretores do clube, uma mordomia nunca vista antes, nem nos clubes mais perdulários do mundo.
Mais ainda: encontrou novecentos e cinquenta funcionários contratados para serviços à altura de apenas noventa e cinco. E assim vai…
Bem, quando eu aqui e em outros canais denunciava os desmandos de Juvenal, havia quem me acusasse de idiossincrasia pessoal. Nada pessoal, pois, nesse sentido, sempre tive cordial relacionamento com Juvenal.
Era apenas uma visão clara e meramente profissional do que ocorria com um dos grandes clubes brasileiros e que a imensa maioria da imprensa, inclusive aqueles que se dizem inspetores da moralidade no futebol, se fazia de desentendida.
Agora, uma ponta apenas do iceberg vem à tona, nas palavras de Miguel Aidar, o seu criador, não um inimigo pessoal ou alguém da oposição tricolor. Que, por sua história, tem o dever de recolocar as coias no lugar. A partir, sobretudo, da volta ao estatuto anterior que era o mais avançado do futebol brasileiro e que acabou na latrina durante a gestão Juvenal Juvêncio.
Falou tudo!” Belo texto. Acrescento : Fora JuJu do CT de Cotia. Velhinho execrável!!!!!!
Paulo Frezza
Boa Helena Jr, boa mesmo. Sou sao paulino e concordo plenamente com vc, o juju so fez baderna e pagou de heroi durante todo o tempo em que administrou o clube, sempre se preocupando apenas em aparecer.
Muito bem Sr Alberto, Sou São Paulino de coração, tenho o maior orgulho desse clube, que era e deve ser o maior clube do Brasil, é preciso deixar as claras como se administra um clube do tamanho desse querido Tricolor Do Morumbi. Esse Juvenal destruiu o nosso glorioso, mas vamos voltar a ser o amado clube brasileiro, tu és grande tu és o primeiro, assim como diz na maravilhosa letra do hino tricolor.
Parabêns pela matéria.
Até que enfim, uma avaliação centrada e justa da gestão Juvenal. Infelizmente, acabou com nossa democracia e deixou meu tricolor em ruínas. Alguém duvida que a atual boa fase do clube é reflexo da tranquilidade que o setor de futebol passou a ter com a saída do Juju?Agora que Milton Cruz não tem mais pra quem levar os assuntos do vestiário – que devem morrer por lá -, não tem pitacos de presidente nas escalações, e nem diretor de futebol despreparado, o SPFC voltará a ser o Soberano que conhecemos. Que o velho tricolor possa voltar!