Cumpra-se a lei

Roberto Vinícius / Agência Eleven/Gazeta Press
Roberto Vinícius / Agência Eleven/Gazeta Press

O STJD anunciou que o segundo jogo pela Copa do Brasil entre Santos e Grêmio está suspenso até que o caso Aranha seja julgado.

Há quem defenda a tese de que o clube não merece punição por ato deste ou daquele torcedor mais tresloucado, a não ser quando se trata de questão de segurança. E, segurança, aqui, quer dizer agressões físicas, seja por envio de objetos ao campo de jogo, seja por briga de torcidas, essas coisas.

Só o corpo? E a alma, esse sutil e complexo conjunto de sentimentos, sensações e percepções que alguns creem nosso único vínculo com a imortalidade, essa não mereceria ainda maior proteção? Sim, porque o que a atinge não é o gesto físico, um soco, um pontapé, uma cabeçada, cuja dor dura o tempo de o calombo regredir, o nariz parar de sangrar, o galo conter suas pulsações.

É a insídia que se instala na alma agredida e ali fica para sempre, manifestando-se nos pesadelos, nos acanhamentos ou atitudes agressivas da vítima, até mesmo na sua maneira de ver o mundo, com um olhar desconfiado, quando não carregado de ódio. E aí a vítima passa a ser mais um elo na corrente do ódio, porque vai descontar naquele outro, que, por sua vez, repica num quarto e assim segue o racismo destilando veneno por todas as vertentes.

Ora, não são esses mesmos cartolas, seu antecessores e certamente seus sucessores, que vivem repetindo o mesmo mantra, só pra adoçar o bico da moçada: “Ah, nosso maior patrimônio é a nossa torcida!”

Se a torcida é o maior patrimônio do clube, então o clube é o maior responsável pela torcida, lógico.

O mais lógico, porém, nessa história toda é que se cumpra a lei, gostemos ou não dela. Porque num estado de direito, a lei é que rege as ações dos homens, embora a meu ver, devesse ser a consciência. Mas, quem sou eu? Afinal, o próprio Criador deu-nos o livre-arbítrio (a consciência), mas, desconfiado, foi logo estabelecendo as dez leis básicas a Moisés, por trás das sarças em fogo.

E, se a lei diz que o clube deve ser punido por atos de racismo de sua torcida, cumpra-se a lei, ora bolas.

Ah, mas neste país, não se cumpre a lei nem em casos mais graves, dirá o amigo cético.

Essa sensação de impunidade, é verdade, permeia nossa sociedade em todas as latitudes. Mas, não é bem assim: os que costumam escapar pela tangente são os mais poderosos, os mais ricos, aqueles que têm um lobby mais eficiente. E, mesmo alguns deles têm caído de cara no chão. Os demais pagam caro por suas infrações.

Por fim, que diabo!, se nem no futebol, uma atividade de importância relativa, se pode aplicar a lei em sua plenitude, aí, então, é que estamos definitivamente ferrados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *