Os planos de Gilmar

Foto: Rafael Ribeiro/CBFGilmar Rinaldi, o novo coordenador da Seleção Brasileira esteve ontem no Bem, Amigos (saudade daquela turma toda – o Luís Roberto, o Caio, o Cleber, o Belletti, o Villa e o Arnaldo).  E o que disse Gilmar?

Disse que a escolha de Dunga para técnico da Seleção tinha o condão de resgatar a fé do torcedor brasileiro no time nacional. Exatamente a mesma justificativa que havia reconduzido a dupla Felipão-Parreira a essas funções, com o resultado que todos deploramos até agora e para sempre. Que Dunga penou como jogador e como treinador, o que me faz supor que o sofrimento leva à salvação, e a salvação de Dunga será a nossa redenção.

Ainda no plano emocional, condenou novamente o boné do Neymar, como se a mensagem ali expressa tivesse arrasado com o seu substituto, o menino Bernard, sem levar em consideração que o ex-atleticano havia tempos não jogava bem, por força, talvez, do processo de mudança para um país distante e de hábitos tão diferentes.

Voltou a repetir toda aquela arenga de comprometimento dos jogadores com a Seleção – mesmo discurso de Felipão -, para finalmente entrar no que importa mesmo – o estilo de jogo a ser adotado  não só pelo time principal como também pelas categorias de base da CBF.

Disse que precisamos recuperar nosso jeito de jogar bola. Pergunto: com Dunga? Mas, vamos em frente. Para tanto, por sugestão do meu querido Belletti que conhece os procedimentos lá de fora, vai levar um papo com o holandês Guus Heddink, treinador muito considerado no universo do futebol, experiente e tal e cousa e lousa e maripousa. Boa indicação.

Mas, se há no mundo de hoje um técnico cujos times jogam à nossa maneira, tão desprezada nos últimos anos por treinadores da escola de Felipão, Dunga etc., é justamente Pep Guardiola. Não seria mais proveitoso, nessa linha de pensamento, prosear (e muito) com o catalão mais brasileiro do mundo do futebol?

Além de tudo, o papear com técnicos de ponta estrangeiros, Dunga já adiantou que o fez, durante a Copa, com Wenger etc. E tudo que ele captou dos ensinamentos de Arrigo Sacchi, um teórico de respeito que, porém, anda afastado dos gramados há um bom tempo, foi o de que os zagueiros têm de possuir o GPS do atalho. Traduzindo: antecipar-se às jogadas. Não diga!

De qualquer forma, como nada há o que fazer agora, o jeito é esperar pra ver no que isso vai dar, na esperança de que novas luzes iluminem nossa Seleção.

2 comentários

  1. Pep Guardiola nasceu em 1968 e faz parte de uma geração espanhola e de boa parte da
    Europa,que cresceu ouvindo os pais e os mais velhos dizendo maravilhas do futebol brasileiro.
    O jogo praticado e orquestrado por Carlos Alberto,Clodoaldo,Jairzinho,Tostão,Pelé e
    Rivelino (meio time),ainda é lembrado e reverenciado sobretudo na Espanha,e foi em tal
    perfil de futebol que Guardiola se inspirou para por em prática quando iniciou sua carreira
    como técnico.
    Conversar com Guardiola seria o óbvio,mas a natureza humana possui uma tendência
    de complicar o que é fácil,e a CBF não escapa deste conceito.

  2. Alberto,
    Acho que os 7×1 seguidos dos 3×0 foram pouco para essa gente acordar.
    O nosso futebol está fraco e sem identidade. Mesmo o Cruzeiro tem fracassado nos mata-matas da vida. Basta lembrar a Libertadores e a Copa do Brasil.
    Toda a glória do futebol brasileiro é decorrente da habilidade dos nossos jogadores, tática e técnica sempre em segundo lugar. O que temos hoje é uma ilha de habilidade chamada Neymar. Ah!e o que é tão drástico como os resultados citados acima: No último Torneio de Toulon, Rodrigo Caio foi escolhido como melhor jogador. Não dá né? Bom menino, bom jogador para o SPFC, mas melhor da seleção…….
    Abraço

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