Rodada de fogo

AFP
AFP

A rodada deste fim de semana do Brasileirão é muito sugestiva, sobretudo para os quatro integrantes da zona nobre da Libertadores.

Dos quatro, o Cruzeiro, líder disparado e atual campeão brasileiro, e o Fluminense, terceiro colocado, são os dois times que têm praticado o futebol mais agradável de se ver. Bola no chão, de pé em pé, envolvendo os adversários, com forte viés ofensivo. Tanto, que lideram a artilharia do campeonato – o Cruzeiro, com 28 gols marcados, e o Flu, com 20. Já o vice Coirinthians, nesse quesito, com 15 gols, fica em quarto, com o quarto, Inter, em terceiro, com seus 18 gols consignados.

Aliás, Corinthians e Inter, nessa área, perdem para São Paulo, oitavo colocado, com 19 gols, o mesmo número alcançado pelo Furacão, nono na tabela.

Confesso que sou um fracasso com números, mesmo porque, em futebol, eles dizem apenas algumas verdades. Mas, quando os números refletem a maneira de jogar de um time, então, vale a pena segui-los. E é essa a proposta de jogo tanto de Marcelo Oliveira, no Cruzeiro, quanto de Cristóvão Borges, no Flu.

Ambos, por sinal, guardam certas similaridades na maneira de ver o futebol e no comportamento fora e à beira do campo. Os dois cultivam a bola bem jogada, como o faziam quando craques em seus tempos, dois meias de técnica refinada e inteligência tática. Um mineiro, outro baiano, ambos discretos, bem articulados na exposição de suas ideias, transpiram conhecimento prático e até teórico o que se reflete na postura de seus dois times em campo.

O Flu de Cristóvão ganhou muito com a chegada de Cícero, um jogador de múltiplas habilidades, que tanto pode jogar como segundo volante, como meia-armador e até de atacante, o que sempre é uma arma valiosa para qualquer treinador. Tendo ainda por cima, ao seu lado, Jean, volante que sabe jogar, o meia Conca, um craque, e Wagner, ouso dizer que é o melhor meio de campo do nosso futebol. E, todos sabemos, o meio de campo é o coração de qualquer equipe, a não ser para aqueles treinadores que o desprezam no falso nome da eficiência, fazendo a bola voar da defesa ao ataque à espera daquela bola parada providencial.

Neste domingo, o Flu recebe o Goiás, no Maracanã. Um Goiás nada desprezível, diga-se, que ocupa a sétima posição da tabela, mas a apenas uma vitória do vice-líder Corinthians. E, parece, Fred joga. Fred, que foi muito mal na Copa, como se esperava pelas tantas lesões e ausências nos meses que precederem a disputa. Mas, que, no Flu, tem sido aquele artilheiro adorado pela galera, e, que, na pior das hipóteses, vira e mexe, deixa sua marca nas redes inimigas.

O Cruzeiro é outro que tem um meio de campo respeitável, onde despontam o armador Everton Ribeiro, por quem clamei meses a fio na Seleção antes da Copa, e o artilheiro do campeonato, Ricardo Goulart. E, lá na frente, dois dos tantos jogadores menosprezados em outros clubes que Marcelo Oliveira recuperou – Marquinhos e Marcelo Moreno.

Assim, o líder vai ao Rio pegar um Botafogo mergulhado em crise. E aí reside o perigo: time grande em crise, à vezes reage como fera acuada e, sai de baixo!

Mas, a lógica é a de que a Raposa saiba escapar até mesmo dessa fera improvável.

E o Timão?

Bem, o Timão, que está entre Cruzeiro e Flu nessa disputa pelo título, enfrenta o Coritiba, lá. Coritiba que está lá na zona do perigo, mas que tem Alex, sempre um fator de equilíbrio, graças a seu talento inexcedível, ainda que prestes a pendurar as chuteiras.

O Corinthians, contudo, vem ganhando forma nas mãos competentes de Mano Menezes, outro cara mais ou menos no estilo de Marcelo e de Cristóvão, mesmo um tanto mais saliente nos últimos tempos. Isso, porém, se explica: ninguém sai incólume de uma facada nas costas como a que ele recebeu da CBF, às vésperas da Copa, justamente quando Mano conseguia acertar de vez o time, depois de roer o osso da renovação.

Pelo visto, Mano já começa a imprimir suas digitais nesse time do Corinthians, ainda excessivamente defensivo, como revelam os números e as atuações nesta temporada:  15 gols a favor e apenas 6 contra, em doze rodadas. Mas, que avança no sentido de melhorar esse desempenho ofensivo, pois tem bons atacantes e anda criando chances de gol suficientes para alterar esse cenário. E, mesmo sem Guerrero, dá pra Mano montar um ataque mais leve e envolvente, com Romarinho e Romero, por exemplo, recebendo o apoio de Jadson e Petros, a cada dia mais solto.

Quanto ao Inter, que recebe o Santos no Beira-Rio, que dizer? É tudo mistério, desde a derrota para o Ceará, no meio de semana pela Copa do Brasil. Treino secreto e outros bichos na casa do Colorado que ainda não pode contar com o chileno Aránguiz, que vinha sendo a válvula de escape do time.

É dessas incertezas que o Peixe tentará se aproveitar, embora sem o seu principal artilheiro na temporada – o garoto Gabigol, que serve à Seleção sub-qualquer coisa de Gallo. Em seu lugar, voltará a campo Leandro Damião, a mais cara contratação da Vila e, até agora, a mais infrutífera. Quem sabe, Damião, diante do time que o revelou para o futebol, consiga desencantar de vez?

Tricolor e Verdão

Sem Kaká, machucado, mas já com Alan Kardec lá na frente, o São Paulo pega o Criciúma no Morumbi, palco de longas séries invictas do time, mas que ultimamente tem sido um palco de desilusões.

A vitória sobre o Bragantino pela Copa do Brasil, embora inconvincente, pelo menos, mostrou um Pato mais ativo, o que deverá lhe valer a vaga de Kaká, imagino. E, principalmente, o São Paulo terá novamente o zagueiro Antônio Carlos, que tanta falta faz ao setor. Seria o suficiente para Muricy desfazer a linha um tanto falsa de três zagueiros para voltar a ter uma formação mais ousada, com Souza e Maicon dando suporte a Ganso, Pato, Ademílson e Kardec.  Afinal esse é um daqueles jogos que o São Paulo tem de vencer se quiser continuar sonhando no mínimo com a Libertadores e no máximo com o título brasileiro.

Já ao Palmeiras resta sonhar com a possível volta de Cleiton Xavier, o último autêntico meia-armador que vestiu a camisa verde nos últimos tempos. É bom lembrar que o sumido Valdívia sempre foi um meia ofensivo. Mas, enquanto não pode contar com nenhum dos dois, o técnico Gareca terá de se virar com o que tem para receber o Bahia no Pacaembu. E o que tem, cá entre nós, não é muito animador.

O adversário, em contrapartida, anda tão por baixo que é perfeitamente legítimo esperar do Verdão um desempenho mais compatível com sua gloriosa tradição.

É de se ver, por exemplo, como irá o garoto argentino Allione, depois de sua estreia relâmpago na equipe, no meio de semana. Na ocasião deu sinais de que pode dar samba. ou tango, tanto faz.

 

 

 

 

3 comentários

  1. Embora um pouco prolixo, gostei do seu comentário, eu estou achando esse brasileiro bem melhor que do ano passado, em que o Fluminense, através de mais uma falcatrua, permaneceu no grupo da elite, mas é cedo para apontar um favorito ou quem esteja jogando melhor!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *