Dunga, o velho e o novo

Foto: Wander Roberto/Gazeta Press
Foto: Wander Roberto/Gazeta Press

Pelos comentários dos frequentadores deste espaço dá para tirar uma média do que pensa o torcedor a respeito da possível volta de Dunga à Seleção Brasileira. Embora não sabendo a idade exata do cidadão ou cidadã, percebo que os jovens revelam-se mais reacionários e intolerantes com o autor e suas ideias do que os maduros. Faz parte. Quanto mais ignorante, mais raivoso e tacanho. E a juventude de um país tão carente de educação (em todos os sentidos) tende a se deixar levar por números e imagens, em vez de procurar os caminhos da reflexão, mais complexos e pontilhados de armadilhas.

E não é só o jovem que costuma ser seduzido pela figura do sargentão, do chefe, do homem providencial que chega lá e põe ordem na casa, mesmo que, para tanto, tenha de esmagar os princípios básicos da democracia, essa florzinha que deve ser regada com capricho todos os dias, como dizia o sábio.  A massa, enquanto  massa, essa legião de pessoas sem rosto, costuma reagir dessa forma.

Só isso explica a ascensão de um Hitler no país de Kant; de Mussolini na terra de Da Vinci; de Franco na Espanha de Picasso e Cervantes; de Stalin nas estepes de Dostoiéviski etc., todos com apoio maciço das suas respectivas populações, jovens e velhos. Países altamente civilizados, berços dos mais significativos pensadores e artistas já produzidos pela humanidade que, num certo momento de sua história, se deixam dominar pela insânia coletiva.

Exagero ao repetir essa já batida observação num campo destinado a discutir coisas corriqueiras do futebol, apenas uma diversão, um jogo, no máximo, uma paixão nacional?

Talvez, mas é que vejo o futebol, exatamente pela paixão que desperta nas pessoas em geral, como uma dramatização, um teatro onde se reflete o cotidiano de todos nós. Lá estão, naquele retângulo verde, todas as situações do nosso dia a dia: o drama, a comédia e a tragédia que vivemos alternadamente em nossas vidas aqui fora. Lá estão todas as personagens: o trabalhador braçal, o cientista, o artista, o mestre e o aprendiz, o protagonista e o coadjuvante, o mocinho e o vilão. E assim vai esse diálogo entre os homens, tendo a bola como intérprete e também objeto de desejo. O resultado final  de um jogo é, ao mesmo tempo, o epílogo daquele capítulo e o prólogo do próximo que se desenrolará em seguida, dois, três dias depois.

Nesse contexto, o futebol de resultado representa o mesmo que o amigo comprar um livro de mistério, ler a primeira página quando a trama começa a ser esboçada, e logo pular para as páginas finais a fim de ver qual o seu desfecho. Onde está a graça aí? Mesmo assim não são poucos o que fazem isso.

Resumindo: Dunga, Felipão e seus seguidores são o fim da uma história antiga. E a turma anda louca para que se comece uma nova história no livro verde da vida e do futebol.

 

 

 

17 comentários

  1. Infelizmente com esses homens que dirige o nosso futebol é praticamente impossível pensar numa autêntica renovação.O Brasil, não esqueça, é um país do terceiro mundo e seu povo é vítima da corrupção e da incompetência, portanto, ficamos sempre sonhando com algo melhor!

    1. Brasil, pais de terceiro mundo, cujo povo ‘e vitima da corrupcao, da incompetencia, e tal. Sao pontos de vista como esse, opinioes como essas, que fortalecem em mim a ideia de que, O MAIOR INIMIGO DO BRASIL, ‘E SEM DUVIDA O BRASILEIRO, ou ao menos, OS BRASILEIROS QUE ASSIM PENSAM. A Grecia, um dos bercos da humanidade esta em crise, POR QUE ??? A Espanha, que colonizou muitos paises, foi uma potencia mundial, com consideravel influencia politica, tambem esta em crise, POR QUE ??? Eu poderia citar outros exemplos, mas estaria correndo o real risco de ser muito repetitivo. Infelismente, em todas as nacoes, sejam elas capitalistas ou nao, existe corrupcao, incompetencia, e sendo assim, isso nao ‘e um ” privilegio ” do Brasil. Ao inves de tecermos somente comentarios depreciativos, citando os pontos debeis, por que nao apresentamos projetos, solucoes, ideias, e afins ??? Meu essa cultura de colocar o Brasil abaixo de tudo, e de todos, ‘e muito triste. Sim, o pais nao vai bem, esta mal, entretanto, O QUE PODEMOS FAZER PARA MELHORAR ??? Essa deveria ser a ideia, mas… Brasileiro, adora xingar a propria mae, fazer o que.

      1. Paulo, não podemos nos esquecermos de que o Brasil foi o último país da América a Abolir a escravidão, temos uma república recente se comparada às outras grandes nações, e temos eleições presidenciais diretas a apenas 25 anos. Você tem plena razão quando diz que o maior inimigo do Brasil é o brasileiro, temos um complexo de vira-latas dominante em nossa cultura, e no futebol não poderia ser diferente.

  2. Na primeira passagem como técnico da seleção, Dunga conquistou a Copa América e a
    Copa das Confederações e chegou até as 4ªs de final na Copa de 2010,o que lhe custou
    o emprego na oportunidade quando da derrota para a Holanda,com infelizes atuações de Júlio César e Felipe Melo.
    É de se imaginar que uma grande parte da população brasileira que acompanha futebol,
    tomou uma ducha de água gelada com o eventual retorno dele como técnico,e fica claro
    que a decisão da CBF por tal opção é política e não técnica.
    Nossa economía está capengando e a nossa classe política cada vêz mais incompetente e corrupta,aumentando o sofrimento do povo com a precariedade dos sistemas de saúde pública,educação e segurança e as reivindicações gritando mais alto.
    O momento atual requer serenidade e reflexão sobre o que nos levará,à longo prazo,ser
    uma grande nação,e certamente não será o futebol.
    Em recentes entrevistas,Dunga admitiu que um dos grandes erros na função foi o de ser
    imapaciente e não ter a devida empatía com a imprensa,e esperamos que agora já esteja
    mais maduro e menos ranzina.
    Não querendo criar uma nova geração de Felipes Melos já será um grande passo.

    1. Belíssimo texto, sem dúvida. Mas não me parece refletir o (ou no) trabalho do Dunga. A seleção sob seu comando “jogou feio”? Não foi um primor, claro. Mas feio também não foi… O primeiro tempo contra a Holanda, na Copa, foi muito bom. É possível, considerando erros individuais, relativizar o papel do treinador. Cometeu erros, claro, como o de não contar, no banco pelo menos, com alguém que pudesse trabalhar a bola com competência. Mas tínhamos esse alguém? Como agora, com Felipão, tínhamos? Qual é o 10 indiscutível no Brasil? Monta-se um time com o que se tem.
      Dunga não é o treinador dos sonhos de muita gente. Mas há certa intolerância gratuita com relação ao seu trabalho. Acho que tem a ver com o Dunga jogador, com aquela história de “era Dunga”. Esquecem, porém, seus críticos, o quanto ele foi importante na conquista do tetra. Ou não foi?
      O problema da crítica é a intolerância, é o fechar questão, o não perceber que as coisas mudam, que às vezes ele pode estar errado. Teimosia não está só com os treinadores, não. Como não considerar os números alcançados pelo Dunga? Isso é prático, é real, é matemático; o resto é metafisico. Claro que todos queremos um futebol bonito e vencedor, como foi o da Copa 70. Mas naquela época tínhamos Pelé & Cia. Hoje o omelete possível é esse, com esses ovos que temos. Parece-me haver má vontade com o Dunga; certo ranço crítico, intolerância gratuita. Provavelmente, em sendo ele campeão daqui a quatro anos a crítica, com certeza, o condenará pelo feito. Intolerância crítica é um mal, um desvio. Pensem nisso!

    1. ora, vejamos: o futebol é uma das nossas maiores riquezas, dizem que é público, e a CBF é uma entidade privada… alguém explica isso. o lobo tomando conta do galinheiro. o futebol tinha que ser estatizado e gerido por pessoas que conhecem de futebol que apresentassem o notório saber em tal assunto (inclui-se aí os cientistas do futebol, jornalistas, atletas e tantos outros reconhecidamente doutorados no assunto, por falar nisso, porque não estão lá: Neto, Zico, Rivelino, Pelé, Romário e tantos outros, e outra coisa, quem é GILMAR GALO DUNGA, agora, me vem com essa possibilidade desse cidadão estar a frente de novo da seleção. esse aí é o maior representante da história do anti-futebol e até hoje nunca vi alguma atuação em que ele agregasse alguma coisa, ou que sua liderança fosse conduzida pela equipe, apenas imposta, ou seja o clima organizacional da seleção vai estar seriamente ameaçado, tomara que seja ele mesmo…para conviver com a burrice dele não ter convocado o neymar em 2010, e agora uma estrela mundial da sua seleção.

    2. Perdido de um perdido de dez. A derrota é sempre uma derrota. Qual é a diferença de perder de um ou de sete? Apenas a disparidade dos jogadores da Alemanha e do Brasil, não de seus técnicos. Técnico não ganha jogo, coloque isso na cabeça. Dunga é um retrocesso, é a volta dos brucutus.

  3. O melhor nome! Futebol nada mais é que resultado… E isso ele já provou que é capaz! Perdeu apenas 1 jogo decisivo com a seleção principal, e isso faz parte do futebol! Peitou um bando de gente que se acham “donos” da seleção! #VoltaDunga

  4. A imprensa Brasileira e’ cheia de “corneteiros”.
    Deixa o Rapaz trabalhar em paz, da ultima vez ele saiu por causa da Globo. O trabalho foi otimo. Deixem ele trabalhar em paz e arrumem outra “historia triste” pra contar.

  5. Helena, os mais velhos, como nós, que viram o futebol que se praticava nos anos 60, futebol fino com a bola no chao, onde se considerava os mehores jogadores aqueles que realmente jogavam bola, que tinham técnica, habilidade, inteligencia e naos os somente corredores e trombadores que vemos valorizados hoje, os mais velhos sabem que os conceitos de como jogar futebol de qualidade nao mudaram! O único conceito, penso, que se aperfeiçoou desde aquela época é o do jogo coletivo e compactaçao! As formas de treinamento evolouíram na Europa, mas o Brasil nao acompanhou! O triste é que depois do 7 x 1, quando teríamos a oportunidade de mudar, eles voltam com o Dunga!

  6. O trabalho analisado: vencer campeonatos de segunda, vencer times de terceira ou quarta categoria reflete um bom trabalho? Qual é a medida utilizada pelas pessoas e imprensa para avaliar o trabalho do Dunga na seleção?

  7. O Futebol organizado e praticado existe por mais de 100 anos, com algumas regras modificadas e adequadas ao tempo corrente. Em particular ao nosso querido Brasil, evoluimos muito em todos aspectos do Futebol dentro e fora do campo tambem. O que era garantia em um passado recente, por exemplo: estar em Finais de Copa do Mundo e ditar estilo de jogo isso acabou…No retrospecto, caro Sr.Alberto, pouco antes do inicio da Copa de 66, “cartolas”, governadores, politicos pressionaram demais o grupo do “Marechal da Vitoria” interferindo demais com a primeira e unica Comissao Tecnica que havia apresentado um trabalho impecavel, enfiaram muita gente, convocaram quase 50 jogadores, muitos chefes, e um sentimento “bairrista” que nao ajudou em nada, por outro lado o resto do mundo ja estava se preparando para as mudancas taticas para conter o futebol arte, individual, tipico dos paises Sul americanos, em particular o nosso Brasil; foi no que deu, Pele perseguido dentro do campo; outros jogadores em choque, pela rapidez como os europeus ocupavam todos os espacos do campo, e batiam muito.Voltamos da Inglaterra em baixa, com o Brasil imerso numa Ditadura suja e para o povo ainda existia o amor pelos times, e foi quando apareceram tecnicos quase desconhecidos e montaram-se times como o Cruzeiro de Tostao, Natal, Dirceu Lopes e Cia dando inicio ao ciclo do futebol moderno no Brasil, lembrem-se que Santos, Botafogo, Fluminense, Palmeiras, Sao Paulo ja eram times com planteis de dar inveja, alem dos times de massa, terem alguem como Rivelino no Corinthians, comeco de Zico no Flamengo:
    foi realmente o comeco da era de ouro do futebol brasileiro, Meu Deus! Durou mais de 50 anos, isso e quase impossivel, porra! Tudo evolui, o resto do mundo, se aplicou, aprendeu e se adaptou. O desafio esta feito, seremos capazes de triunfar de novo?

    1. Lembra do Murici sentado e calado no banco do Santos no jogo contra o Barcelona quando já estava 4 a zero?
      Lembra do Tite gritando FALA MUITO pro Felipão em 2011?
      Moral da estória: temos técnicos diferenciados. O que não temos mais é um futebol diferenciado. Fomos engolidos pelos cifrões dos Euros e deixamos nosso futebol trancado nos porões dos castelos europeus. Aliás até casamento já fizemos em castelos franceses.
      Agora nos resta um novo libertador, um quase Messias (não leia-se Messi), capaz de ressuscitar nossos Garrinchas e até Barbosas.
      Trazer de volta o que nunca deveria ter saído daqui.
      Mas dinheiro compra tudo, certo? Errado.
      Você mesmo prefere um Messias ou um Messi?
      Mesmo sem ler seu pensamento, já sei sua resposta.
      DUNGA: Vai com fé!!

  8. A seleção de 2010 tinha muito mais movimentação e senso tático que a de 2014. Apesar do jeito “imperialista” de ser do sr. Dunga, seu time jogava muito melhor que o time de Felipão. É difícil comparar pois tinha peças de grande quilate como Kaká, Robinho, Elano, Juan, todos em grande fase. Difícil dizer se seremos campeões, mas dá pra desempenhar um bom trabalho.

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