Vettel e Ferrari: divórcio litigioso

Foto: Charles Coates/Getty Images/AFP

Sebastian Vettel tem mais cinco corridas pela frente, conduzindo a Ferrari. O relacionamento que começou em 2015 não poderia ter um epílogo mais desgastante, com acusações recíprocas que chegou ao pior momento no belo circuito de Portimão. É difícil prever um ‘happy end’ nessa história. O próximo embate será domingo, 9h10, no circuito de Ímola, o GP da Emilia Romagna, com transmissão ao vivo pela TV Globo e BandNews FM com a equipe de Odinei Edson.

O caso começou com uma decisão questionável da equipe, demitindo o piloto por telefone antes mesmo do início da temporada. É claro que foi péssimo para os dois lados. Vettel foi desdenhado e a equipe perdeu a chance de contar com um piloto motivado para, no mínimo, tentar somar pontos no Mundial de Construtores. A Ferrari está em uma situação incômoda no Mundial, amargando apenas a 6ª posição. A disparidade entre os pontos obtidos pelos dois pilotos é o reflexo da situação kafkiana onde o tetracampeão foi resumido à condição de segundo piloto da equipe: Charles Leclerc é o 4º com 75 pontos e Vettel o 10º com 18 pontos. Nas 12 provas, Leclerc largou 10 na frente de Vettel. O problema residiria principalmente no treino de classificação onde Leclerc tem sempre um rendimento melhor com a aderência.

Ninguém me convence que esta aritmética interpreta, com rigor epistemológico, a condição técnica dos dois pilotos. Digamos que Vettel tivesse somado até agora um número de pontos próximo ao de Leclerc, a Ferrari estaria na terceira colocação do campeonato, atrás apenas de Mercedes e Red Bull.

Sempre é bom repassar, Vettel tem quatro títulos mundiais e já venceu 53 corridas o que faz dele o 3º maior de todos os tempos, atrás apenas de Lewis Hamilton e Michael Schumacher. Em número de poles, aparece em 4º na história da F1.

Em Portugal, Vettel e Ferrari tiveram dois momentos distintos. Depois do treino de classificação – Leclerc em 4º e Vettel em 15º – o alemão conformou-se, justificando que Leclerc estava em ‘outro patamar’. Depois da corrida, Vettel levantou a questão crucial, insinuando que os dois carros da escuderia não seriam exatamente iguais. A resposta da direção técnica da equipe veio rápido: ‘os carros são iguais e espera-se mais do

segundo piloto’. Reduzir a condição de Vettel ao segundo posto na escuderia só serviu para acirrar ainda mais o já conturbado estado de coisas entre o piloto e a equipe neste ‘sprint’ final da temporada.

Sem clima para continuar na Ferrari, o ideal teria sido que Vettel, assim que foi confirmado para a Aston Martin em 2021, fosse incorporado à equipe no lugar de Sergio Perez, fazendo então as corridas restantes pela Racing Point. A Ferrari traria Antonio Giovinazzi para seu lugar e, no acordo, Perez poderia se juntar à Alfa Romeo. Isso não provocaria nenhuma revolução, mas acomodaria uma situação desconfortável – tanto para Vettel como para Perez – e daria um alento na reta final do campeonato.

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