
A 92ª vitória de Lewis Hamilton, superando a marca de Michael Schumacher, deverá chegar brevemente, então, o piloto inglês será o maior vencedor nestes 70 anos de Fórmula 1. A consagração poderá ser já neste domingo, no GP de Portugal, a partir das 10h10, com transmissão ao vivo pela TV Globo e BandNews FM.
Há alguns anos, em uma das entrevistas que fiz com Pelé, que chega aos 80 anos nesta sexta-feira, ouvi dele uma frase peremptória sobre esporte. “Recordes só existem para serem superados”. E ele se sentia bem como ‘meta a ser alcançada’.
Michael Schumacher, a ‘meta a ser superada na F1’, conquistou sua última vitória na F1 em 2006 e o sétimo e último título em 2004. Levou 14 anos para a marca de corridas ser alcançada e, possivelmente, 16 anos para igualar os sete títulos. Se aparecer alguém do porte de Hamilton nos próximos anos, com campeonatos mais longos, talvez leve um tempo menor para que seus números sejam alcançados.
O recorde de vitórias de Hamilton, entretanto, tem sido alvo de digressões sobre o real significado da marca e sua importância no contexto histórico da Fórmula 1. É compreensível que ídolos dos velhos tempos tenham um olhar questionador sobre o presente. Aficionados mais velhos de todas as modalidades esportivas têm o mesmo viés saudosista, uma fixação romântica no passado. Isso talvez justifique uma certa cisma para com os recordes que Lewis Hamilton vêm estabelecendo na carreira. Recordam os grandes mitos como Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Niki Lauda e Ayrton Senna. Nem Michael Schumacher, que ‘refez’ a Ferrari para conquistar cinco títulos, recebe a mesma distinção.
Lewis Hamilton, ao contrário, cultua mais a velha geração do que é reverenciado por ela. O respeito que devota a Senna e Schumacher, por exemplo, é explícito como já demonstrou em diversos momentos. O que o difere é sua enérgica atividade de combate ao racismo, a favor da ecologia, da alimentação vegana, dos cuidados com o Covid-19, temas indissolúveis do presente e, até então, inusitados no mundo da Fórmula 1.
Apesar de ter vencido sete das 11 corridas disputadas em 2020, caminhado célere para o sétimo título mundial, vê suas conquistas relativizadas pela força de um carro superior, pela eficiência de uma equipe que funciona como relógio, pela inexistência de escuderias à altura e, pasmem, porque sai na frente e não se dá ao luxo de disputas no meio do pelotão. Se alguns pressupostos podem ser levados em consideração, o corolário, aqui e agora, é um só: ‘The Winner Takes It All’. Superando as marcas que tem pela frente, Hamilton será o maior de todos. Já a opinião de quem é o melhor fica por conta dos argumentos de cada um.