
Um curioso fenômeno envolve a Fórmula 1 e a mídia especializada, redes sociais e chats. Ao contrário de outras modalidades esportivas – o futebol, por exemplo – as especulações sobre o que vai acontecer em 2021 ou em futuro distante ocupam um espaço desproporcional em relação ao que ocorre no momento.
Mal acabou o Mundial 2019, com provas empolgantes como a do GP Brasil em Interlagos ou o GP da Alemanha, e já se fala em….2021. Não se sabe ainda o que virá do campeonato do próximo ano com 22 corridas, dois GPs novos – Vietnã e Holanda – com a Red Bull crescendo, a Mercedes deixando de ser tão hegemônica – há apenas suposições – e já se explora a possibilidade de Sebastian Vettel defender a McLaren, da ida de Lewis Hamilton para a Ferrari, de Verstappen na Mercedes, a duvidosa volta de um Fernando Alonso quarentão, etc. etc. Parece tudo muito precoce, com pouca base e, de certa forma, difícil de engolir. E isso não vem de agora. Na metade do campeonato recém terminado já se esquadrinhava 2021.
Esse não é um comportamento exclusivo do noticiário da Fórmula 1 no Brasil. Acontece o mesmo na Europa. Na verdade, a maior parte do que é publicado ou comentado por aqui vem de sites europeus, principalmente ingleses e italianos.
Um dia desses li um texto que saiu em um site espanhol já fazendo uma análise ‘profunda’ sobre as equipes que deverão pontificar em 2021 e porque, já avaliando que, de acordo com as novas regras, a McLaren poderá dar as cartas. Entretanto, o autor admite, não sabemos quem pilotará os carros da escuderia em 2021.
No futebol, para efeito de comparação, as previsões são mais racionais e não passam de 2020 – como os clubes brasileiros poderão se fortalecer, se o técnico Jorge Jesus permanecerá no Flamengo, se Jorge Sampaoli dirigirá outro time brasileiro, as chances de cada equipe na Libertadores – 2021 pertence a um futuro distante assim como 2022 quando teremos uma imprevisível Copa do Mundo no deserto do Catar. Vale o mesmo para o futebol europeu, atualmente, em meio de temporada e chegando às oitavas de final da Liga dos Campeões, a mais
ambiciosa competição esportiva do planeta. Não é diferente nos Estados Unidos onde só se discute quem são os favoritos para o superbowl 2020 ou a situação dos times da NBA.
De certa maneira, isso acaba ofuscando o aqui e agora da Fórmula 1. Eu, por exemplo, estou mais interessado em saber como a Ferrari ‘administrará’ no ano que vem a competição interna entre Leclerc e Vettel e se oferecerá um carro mais eficiente e, ainda, se corrigirá os muitos erros de estratégia que minaram as chances de resultados melhores. Ou se a Honda seguirá crescendo e, com um piloto audacioso como Max Verstappen, poderá fazer frente ao poderio de Lewis Hamilton com a Mercedes. Ou se Lewis Hamilton, após o sexto título, não perderia parte de seu dinamismo. Na prática, quero ver antes a apresentação de todos os carros, avaliar a aerodinâmica e a estética das cores. Julguei acertada, para uma temporada de transição, a manutenção dos mesmos compostos de pneus utilizados este para o campeonato do ano que vem. A temporada da grande mudança, 2021, passará a interessar mais no final de 2020, quando o mercado de pilotos estiver realmente aquecido, as questões do novo regulamento começarem a aparecer com mais constância, levantando dúvidas e provocando discussões. Até lá, vamos aguardar o que virá em 2020. O GP Brasil de F1 será nos dias 13, 14 e 15 de novembro. E as características de Interlagos permitem conjecturar uma disputa acirrada como a deste ano. Vem coisa boa por aí em 2020.