
Você não vai ouvi-lo confessar. Mas Lewis Hamilton já tem no seu visor profissional os recordes que têm pela frente. E, para isso, conta com a superioridade da Mercedes como principal aliada na busca de marcas que não serão ameaçadas em futuro próximo. E sem conhecer como será a Fórmula 1 a partir de 2021, o objetivo é completar os números até o final da temporada do ano que vem.
Isso não quer dizer que ele pretenda parar depois do Mundial de 2020, quando termina seu contrato. Possivelmente, ele permanecerá mais algum tempo na F1. Na Mercedes ou em outra escuderia de ponta (Ferrari? Red Bull?). Nem ele seria capaz de responder agora. No momento, sua única preocupação é continuar vencendo. Este ano, por exemplo, ele já ganhou oito corridas contra duas de Valtteri Botas e duas de Max Verstappen.
O padrão é o heptacampeão mundial Michael Schumacher. Hamilton já o superou nas poles (87 x 68). Dez vitórias o separam do recorde do alemão (91 a 81), atualmente. Do grid atual que está mais perto – mas ainda assim distante – é Sebastian Vettel com 52 vitórias Mantido o rendimento, a marca será presa fácil até metade do campeonato do ano que vem. Simultaneamente, ele também alcançará e deverá superar o número de pódios de Schummy (155 x 144). E os títulos? Hamilton tem cinco e Schumacher sete. Levando-se em consideração que o inglês dificilmente deixará escapar o campeonato deste ano, ele começará 2020 como hexa. E, vencendo o Mundial do ano que vem, igualará os sete títulos de Michael Schumacher. Irá atrás do oitavo? Por que não?
Há ainda outra questão importante. Enquanto Schumacher encerrou a carreira com 307 GPs, Hamilton soma 241 corridas. Isso dá a ele porcentuais superiores ao de Schumacher. Vitórias (33,6% x 29,6%), poles (36,6% x 22,1%), pódios (59,7% x 50,4%).
Eu relativizaria um pouco as conquistas, entretanto, levando em consideração que Michael Schumacher voltou em 2010 para ajudar a Mercedes e passou três temporadas sem vitórias, sem poles e com um único pódio. Também relativizo os quatro anos que Émerson Fittipaldi passou na Copersucar quando não venceu nem estabeleceu poles e esteve no pódio apenas em duas ocasiões. Há uma semelhança no histórico entre os dois pilotos. Schumacher reorganizou a Ferrari para torná-la uma equipe vencedora; Fittipaldi sonhou com uma equipe brasileira também vencedora na Fórmula 1.
Lewis Hamilton trabalha em outra direção: para ser, quem sabe, o maior da história. Assim como as cartas do baralho, os números não mentem jamais.