Bottas é bota

Foto: Asanka Brendon/AFP

Na gíria mais antiga do automobilismo – hoje não é tão usada – ‘bota’ queria dizer que o piloto era rápido. Acho que a primeira vez que ouvi a expressão foi em 1980 quando o Émerson Fittipaldi contratou Keke Rosberg para a equipe Copersucar. ‘O Keke é bota’, justificou Émerson enquanto conversávamos em algum restaurante. Será este o ano de Valtteri Bottas provar que é bota?

Depois de passar 2017 sem uma vitória sequer – contra as três que tinha conquistado no ano anterior – o piloto finlandês da Mercedes fez uma corrida irrepreensível na abertura do Mundial, na Austrália. E como prêmio, além da vitória, ganhou o primeiro ponto extra do campeonato graças à volta mais rápida que estabeleceu na prova: 1min25s580 (contra a orientação da equipe que não queria correr riscos). Não é o recorde da pista mas ainda assim mais rápida do que a de 2018. Valtteri Bottas vai, portanto, para a segunda corrida com 26 pontos. E a Mercedes com 44, exatamente o dobro de pontos da Ferrari.

Bottas largou na primeira fila ao lado do pole Lewis Hamilton. Lewis vacilou um décimo de segundo e Bottas não desperdiçou a chance e pulou na frente. Foi abrindo uma vantagem confortável e liquidou a fatura logo no início. Hamilton ainda fez um pit stop prematuro e, logo, ficou claro que só venceria se algo ocorresse com o companheiro de equipe.

A corrida não foi o que se poderia chamar de emocionante já que as primeiras posições não demoraram para se cristalizar. Mas há alguns detalhes importantes que não devem ser ignorados.

Avalio que o terceiro lugar de Max Verstappen, conduzindo ao pódio a parceria taurino-nipônico, em que pese a distância dos ponteiros, deve ser interpretado como promissor. Foi a primeira vez que a Honda chegou ao pódio desde seu retorno à F1, via McLaren, em 2015. Não há dúvida de que o conjunto tem espaço para melhorar de rendimento. Veremos como vai se dar nas retas de Bahrein, a próxima etapa do campeonato, dentro de duas semanas.

Do ponto de vista das novas regras, a aerodinâmica com suas asas dianteira e traseira maiores provou ser eficiente. O circuito do Albert Park não é o mais indicado para uma boa análise. Embora tenha demorado para começar, as tentativas e ultrapassagens a partir da segunda metade da corrida se mostraram mais fáceis. Exatamente o que se esperava.

Os pilotos novos foram bem com destaque para Lando Norris, vice da F2 no ano passado, que conduziu bem a McLaren no treino de classificação. Na corrida nem tanto. Mas não comprometeu. George Russell, em que pese a deficiência da Williams, também se comportou bem assim como Alex Albon e Antonio Giovinazzi. E Daniil Kvyat, voltando mais uma à F1, garantiu um pontinho para a Toro Rosso.

Daniel Ricciardo se deu mal na largada e acabou abandonando a corrida. Mas deve ser ficado amargurado ao ver o bom resultado de Verstappen com sua ex-equipe.

Agora vamos a um tema crucial: Ferrari. Com problemas de aderência com os pneus médios, Vettel não pôde ir além do quarto lugar, depois de perder a terceira posição para Max Verstappen. Charles Leclerc, em 5º, tinha ordem para não atacar o companheiro de equipe. E também não pôde, como gostaria, trocar rapidamente os pneus na parte final da prova – a vantagem para o sexto colocado era grande – sem perder a posição e tentar o ponto extra. A Ferrari temeu algum erro e não fez a tentativa. Ou seja: não foi um bom começo para Mattia Binotto. De qualquer forma, a vantagem que a Ferrari demonstrou ter nos testes de inverno está em xeque e pode ter sido apenas circunstancial.

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