
Nesta sexta-feira, estreando na Libertadores feminina, o Corinthians atropelou o El Nacional, do Equador. Na Argentina, as comandadas por Arthur Elias levaram a melhor por 16 a 0. Um massacre, cheio de classe e boas jogadas das representantes do Brasil na competição continental, que se estende até o dia 21 deste mês, e conta também com Avaí e Ferroviária.
A vitória é de se comemorar. Mas o resultado não é tão bom assim.
Claro que os méritos e créditos do Corinthians ninguém tira. O Timão é campeão de tudo – e não a toa. Já falamos disso aqui: no Parque São Jorge tem investimento e constância. Não é de hoje que o time é a prova de que trabalho contínuo e sério traz, sim, resultados positivos para o futebol feminino.
A temporada de 2020 foi de absoluto domínio do Corinthians. Ao todo, são 33 jogos – 28 vitórias, três empates e duas derrotas. Nesse jogo, 16 gols. Apenas para se fazer uma comparação: nos últimos 13 jogos do Corinthians masculino, o Timão balançou a rede 17 vezes.
Só que, dessa vez, foi diferente. O atropelo destaca também a discrepância que há no futebol feminino. Se o Timão é exemplo de gestão da modalidade, outros times mantêm o time de mulheres porque são obrigados. A Conmebol, por exemplo, exige que as equipes masculinas que disputam a Copa Sul-Americana ou a Libertadores tenham um grupo feminino.
Isso é ótimo porque força o investimento na modalidade. Isso é ruim, porque força o investimento na modalidade.
No caso do El Nacional, o time passou por um desmanche por conta de problemas financeiros. Acabou por escalar uma equipe com sete jogadoras da seleção sub-17 do Equador. O resultado, já sabemos.
Mas não é a primeira vez que algo do tipo acontece. Como pontuou um amigo, “um time com um investimento e estruturas razoáveis sobra muito aqui no continente”.
Isso já aconteceu aqui. Em outubro do ano passado, o São Paulo não economizou gols e venceu o Taboão da Serra, na Arena Barueri, por 29 a 0. O resultado histórico aconteceu pelo Campeonato Paulista Feminino.
As goleadas e o show animam qualquer torcedor. Mas é importante não esquecer o porque elas acontecem. Também vale pensar nas consequências desses resultados. Que eles não desmotivem jogadoras a serem o que são. Se há algo bom, além da vitória do Corinthians, claro, que seja o incentivo para diminuir a diferença na estrutura entre o times.

Os placares elásticos podem parecer legais num primeiro momento mas prejudicam a modalidade enquanto forma de entretenimento, o que traz patrocínio e audiência. É bom que tenhamos uma equipe como o Corinthians com investimento sério (gerando muito retorno como vemos), mas só um time assim, não é o suficiente.