Memphis encosta Corinthians na parede

Memphis Depay levanta troféu da Copa do Brasil
Foto: Rodrigo Coca/Ag Corinthians

Se existia alguma dúvida, ela se foi. Memphis Depay revelou em entrevista na “Romário TV” que deseja permanecer no Brasil depois da Copa do Mundo, quando vai defender a Holanda. Essa declaração encosta o Corinthians na parede para uma futura renovação. O clube deve a ele atualmente 35 milhões de reais, com acerto para pagar em suaves prestações mensais. Mesmo assim, é muito dinheiro para um jogador só. E as cifras podem aumentar consideravelmente em caso de o compromisso ser renovado, conforme quer o jogador.

O Corinthians pode desistir. Está no seu direito. Depay, então, pode optar por outros clubes em território nacional. Ele se encantou com o Brasil. Disse ser muito parecido com Gana (onde nasceu seu pai). O povo é simpático, amigo e hospitaleiro. Desde que chegou, o camisa 10 corintiano frequenta comunidades paulistanas, vai a bailes funk, compõe músicas e até gravou um clipe em homenagem à cidade de São Paulo, para quem fez juras de amor sem fim.

Depay é um caso raro. Dificilmente um jogador europeu de bom nível técnico iria se aventurar por um país desconhecido. O Velho Continente oferece condições de se desenvolver mais uma carreira de sucesso. Tem estrutura em todos os sentidos. Nenhum jogador se presta a um “roteiro cigano”, com mudanças constantes de clubes nas mais diversas ligas. Cada temporada joga em um lugar diferente na América do Sul, nem sempre tendo um ganho razoável.

Qualquer investimento vale a pena, na minha opinião. Memphis é Memphis. Habilidoso, forte fisicamente, com sorte de campeão. Melhor apostar mais 35 milhões em um jogador diferenciado do que contratar uma porção de promessas e esperar que pelo menos uma dê certo. O Corinthians precisa estar à altura da sua própria grandeza. Não pode ficar assistindo à concorrência crescer dia a dia e ficar de camarote. Nem renunciar ao mercado facilmente. O holandês virou patrimônio da Fiel. Perdê-lo seria uma tragédia para a sofrida Fiel torcida, que já vive as contradições de uma sociedade desigual e poucos ídolos tem para reverenciar.

E tenho dito!